Lula defende seriedade fiscal e diz que dívida de R$ 11 trilhões não é tudo que aparece
Presidente afirmou que população de baixa renda não arcará com custos de eventuais ajustes nas contas públicas

O presidente Lula rebateu as pressões do mercado financeiro nesta sexta-feira (6), assegurando que o país mantém rigor no controle das contas públicas e garantiu que as classes mais vulneráveis não serão penalizadas por futuras medidas econômicas.
Reunião no Ministério de Minas e Energia
As declarações foram feitas durante um encontro do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), sediado no Ministério de Minas e Energia (MME). O mandatário aproveitou a ocasião para exaltar o trabalho da equipe econômica frente aos desafios orçamentários.
“Ninguém neste país pode falar mais de responsabilidade fiscal do que minha equipe econômica”, disse Lula.
O chefe do Executivo complementou elogiando o esforço diário dos auxiliares: “Esses meninos que ganham pouco, que se matam de trabalhar e são xingados, brigando com outros ministros porque nós temos que tirar dois tostões de um para colocar no outro. Ficam o ano inteiro brigando para manter a política fiscal com responsabilidade”.
Desempenho orçamentário e projeções
O governo projeta alcançar superávit no orçamento do próximo ano e registrou 2,8% do PIB neste indicador, patamar que gerou divergências com analistas financeiros.
“Nós estamos entregando o orçamento agora com superávit. ‘Ah, não é o que o sistema financeiro quer’, porque ele quer é tudo. Não, é o que a gente pode fazer. A única coisa que ele tem que saber é que o pobre não pagará a conta. A única coisa que ele tem que ver é que nós não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício. E eu tenho comigo a minha história”, afirmou o presidente.
Comparações internacionais sobre a dívida pública
Atualmente, a dívida bruta brasileira alcançou 82,9% do PIB, somando cerca de R$ 11,1 trilhões, enquanto o setor público consolidado fechou setembro com déficit primário de R$ 5,5 bilhões. No entanto, o petista questionou a gravidade desses dados e pediu que o cenário seja avaliado considerando o ponto de partida herdado da administração anterior, cobrando análises comparativas com nações estrangeiras.
“Quantos países do mundo têm a seriedade fiscal que nós temos? […] Ora, alguém pode falar que esse governo não tem responsabilidade fiscal? Alguém pode falar? Para alguém falar que a gente não tem, as pessoas precisam dizer como é que nós pegamos esse governo. Se as pessoas não disserem como é que nós encontramos esse governo, não tem comparativo”, declarou.
O governante também argumentou que o passivo interno brasileiro é inferior ao de economias consolidadas globais: “Qual é a dívida interna dos EUA, da França, do Japão ou da Itália? Perto da nossa, é o dobro em relação ao PIB. Se a gente for analisar a nossa dívida de verdade, ela nem é tudo que aparece”.
Por fim, o chefe de Estado resgatou ensinamentos familiares para reforçar sua postura administrativa, mencionando que aprendeu a zelar pelo orçamento com sua mãe, Dona Lindu, que costumava dizer que “ninguém pode gastar mais do que tem”.


