Fauja Singh, o corredor que virou maratonista aos 89 anos
Conhecido como ‘Tornado de Turbante’, o indiano superou uma infância sem conseguir caminhar e o luto familiar para correr 42 km.

O indiano Fauja Singh enfrentou dificuldades para caminhar durante a infância e, décadas depois, tornou-se conhecido por disputar maratonas em idade avançada. Aos 89 anos, começou sua trajetória nas corridas de longa distância e chegou a completar uma prova de 42,195 quilômetros quando, segundo seus documentos, tinha 100 anos.
Superação e o início nas pistas
Nascido em 1911, em uma família de agricultores, Singh teve dificuldades para andar até aproximadamente os cinco anos. Na vida adulta, trabalhou no campo e não praticava esportes competitivos. Apelidado de “Tornado de Turbante”, o atleta britânico de origem indiana encontrou no esporte uma maneira de enfrentar o luto após a morte de familiares.
No início da década de 1990, após a morte da esposa, Gian Kaur, mudou-se para a Inglaterra para morar com um dos filhos. Pouco tempo depois, perdeu outro filho, Kuldip, em um acidente na Índia. A morte o abalou profundamente e, de volta a Londres, ele encontrou na corrida uma maneira de lidar com o luto. Durante visitas a um templo sikh, conheceu um grupo de idosos que costumava correr e passou a treinar com Harmander Singh, responsável por orientá-lo nas competições. O que começou como uma atividade para enfrentar a tristeza se transformou em uma rotina de treinamentos.
Maratonas internacionais e recordes
Em 2000, estreou na Maratona de Londres e completou o percurso em 6 horas e 54 minutos. Nos anos seguintes, continuou participando de provas internacionais e melhorou seus resultados. Em 2003, terminou a Maratona de Toronto, no Canadá, em 5 horas e 40 minutos, seu melhor tempo na distância.
Em outubro de 2011, Singh ganhou destaque ao completar a Maratona de Toronto aos 100 anos, conforme a idade registrada em seu passaporte. Ele percorreu os 42,195 quilômetros em aproximadamente 8 horas e 11 minutos e passou a ser apontado como o primeiro centenário a concluir uma maratona. O feito, entretanto, não foi homologado pelo Guinness World Records. A organização exigia uma certidão de nascimento emitida em 1911, documento que o atleta não conseguiu apresentar. Apesar disso, sua participação na prova foi registrada e recebeu ampla repercussão.
Legado e despedida
Participou do revezamento da tocha olímpica dos Jogos de Londres, em 2012, além de campanhas publicitárias e iniciativas beneficentes. Em 2013, aos 101 anos, encerrou sua carreira competitiva após completar uma corrida de 10 quilômetros em Hong Kong.
Vegetariano, o maratonista atribuía sua disposição à alimentação simples e à prática regular de exercícios. Mesmo após deixar as competições, continuou caminhando diariamente. Em junho de 2025, relatou à BBC que ainda percorria vários quilômetros a pé em sua aldeia. Sua participação em competições internacionais chamou a atenção para a prática de exercícios físicos e se tornou um exemplo de longevidade e dedicação à atividade física.
Singh morreu em julho de 2025, aos 114 anos, após ser atropelado em sua aldeia natal, no estado de Punjab, na Índia. Sua rotina também refletia a importância da atividade física na terceira idade, recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para preservar a saúde, a mobilidade e a autonomia.



