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Mundo

Irã promete retaliar vizinhos do Golfo em caso de apoio a ataques dos EUA

Liderança iraniana descarta mudanças na postura de Washington com as eleições legislativas norte-americanas

Irã ameaça retaliar se países do Golfo derem apoio a ataques dos EUA

O governo iraniano sinalizou que poderá expandir seus alvos em uma eventual escalada militar na região. A advertência foi feita nesta quarta-feira (4) por um representante militar de alta patente, que mirou diretamente nas nações vizinhas que abrigam instalações estratégicas norte-americanas.

Ameaça a vizinhos do Golfo

Caso os Estados do Golfo permitam que Washington lance ataques contra o país a partir de seus territórios, o território iraniano ampliará sua resposta para além das bases militares dos EUA, afirmou Hamidreza Moghadamfar, assessor do comandante-em-chefe da Guarda Revolucionária.

Durante pronunciamento em Bandar Abbas, Moghadamfar ressaltou que o país usará recursos bélicos inéditos. O assessor declarou, durante um evento em Bandar Abbas, que o Irã empregará uma “nova doutrina e novas tecnologias” ao responder a qualquer ação dos EUA ou de Israel, alertando que países como os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein enfrentarão uma resposta mais abrangente caso sirvam de base para ataques contra o Irã.

Ceticismo político em Teerã

Enquanto a tensão militar aumenta no Oriente Médio, o cenário político norte-americano também entra no radar do regime persa, especialmente após o pleito legislativo que mobilizou os eleitores dos Estados Unidos.

O Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que qualquer pessoa que acredite que os resultados das Eleições de Meio de Mandato (as Midterms) mudarão a postura de Washington em relação a Teerã está “profundamente enganada”.

Para reforçar sua posição, o chefe de Estado rejeitou a possibilidade de conciliação diplomática com a superpotência ocidental. “Qualquer um que ainda se apegue, ainda que minimamente, à esperança de que o sistema de dominação possa mudar seu comportamento ou passar por transformações partidárias e faccionais — ou que acredite que fazer concessões aos EUA possa afastar o país de sua hostilidade contra a nação iraniana — está profundamente enganado”, declarou Khamenei, segundo a agência de notícias estatal iraniana IRNA.

Impacto global do conflito

O atual mandatário mantém discrição sobre sua rotina e não é visto em público desde que assumiu o cargo, no final de fevereiro, após ataques conjuntos dos EUA e de Israel terem matado seu pai e predecessor no início deste ano.

A instabilidade geopolítica gerada pelo confronto direto entre Teerã, Washington e Tel Aviv acabou influenciando debates eleitorais em território norte-americano e pressionando a economia global. A guerra travada pelos EUA e por Israel no Irã tornou-se um tema central nas campanhas que antecederam as Midterms — um cenário que, somado à violência regional, provocou neste ano uma disparada nos preços da gasolina e do diesel, afetando milhões de famílias ao redor do mundo, inclusive nos Estados Unidos.