Eleições nos Estados Unidos: o que muda após a vitória democrata no congresso
Partido conquista maioria nas duas Casas legislativas, mas resultado não altera a permanência de Donald Trump na Casa Branca.

As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, mudaram o cenário político norte-americano ao garantirem maioria ao Partido Democrata no Congresso. Com o resultado, a legenda passará a controlar as duas Casas do Legislativo pelos próximos dois anos. Até o momento, os democratas somam 54 cadeiras no Senado, enquanto os republicanos acumulam 44. Do total de 100 assentos senatoriais, 35 estavam em disputa. Na Câmara dos Representantes, onde todas as 435 vagas foram renovadas, os democratas elegeram 228 deputados frente a 139 dos republicanos, com 68 cadeiras ainda pendentes de definição. A posse do novo Congresso está marcada para 3 de janeiro de 2027.
O impacto na presidência e as regras constitucionais Diante da nova configuração legislativa, surge o questionamento sobre a possibilidade de os Estados Unidos terem um novo presidente. A resposta é negativa. As midterms ocorrem no meio do mandato presidencial e servem como um termômetro da popularidade do chefe do Executivo, mas não interferem diretamente em sua permanência no cargo. A derrota foi sofrida pelo Partido Republicano, legenda de Donald Trump. Na madrugada seguinte à votação, Trump declarou nas redes sociais que teria vencido “com ampla vantagem” se seu nome estivesse nas cédulas, além de responsabilizar a emissora Fox News e aliados pelo revés. Vale ressaltar que a Constituição norte-americana impede que Donald Trump dispute um terceiro mandato presidencial.
A descentralização e o processo de apuração dos votos O sistema eleitoral dos Estados Unidos é descentralizado, cabendo aos estados definir as regras de tempo, local e maneira de votação para o Congresso, sem a participação direta do presidente. Essa organização é delegada a mais de 10 mil jurisdições. A contagem tem início nos condados, seguida pela consolidação estadual, apuração final e certificação oficial. As projeções divulgadas pela imprensa baseiam-se em votos apurados, podendo levar dias ou semanas até a homologação definitiva. O processamento das cédulas pelo correio varia conforme a localidade: 44 estados e o Distrito de Columbia permitem o início dessa etapa antes do dia do pleito, enquanto Alabama, Mississippi, New Hampshire, Pensilvânia, Virgínia Ocidental e Wisconsin realizam o procedimento apenas no próprio dia da votação.
Prazos, auditorias e sistemas de votação Em relação à validade de votos postados, 14 estados e o Distrito de Columbia aceitam cédulas com carimbo datado até o dia da eleição, regra confirmada pela Suprema Corte. Prazos estaduais estendem a chegada de votos por até sete dias na Califórnia e dez dias no Alasca. No aspecto tecnológico, cerca de 70% dos eleitores votam em cédulas de papel preenchidas à mão e lidas por escâneres, 26,5% utilizam impressoras para conferência, e a Louisiana mantém urnas eletrônicas sem registro em papel. Todos os estados realizam auditorias pós-eleitorais, e 36 aplicam a contagem manual de amostras. Além disso, Alasca e Maine adotam o voto por ordem de preferência, e 26 estados executam recontagem automática quando a margem entre os candidatos é inferior a 0,5%.



