Mulheres tocam sino da vitória contra o câncer em Chapecó
O som metálico de um sino ressoou em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, para anunciar o encerramento de um ciclo desafiador na vida de duas pacientes oncológicas. Juliana Castanheira e Ilda Valandro participaram do tradicional ritual do sino da vitória, cerimônia que simboliza a superação de etapas cruciais na batalha contra o câncer e reforça a relevância da detecção precoce de tumores.
Superação após diagnóstico tardio e rotina intensa
Auxiliar de produção e moradora de Marau (RS), Juliana Castanheira recebeu a confirmação de um câncer de colo do útero em junho de 2026. A notícia provocou um choque imediato e sentimentos complexos diante da constatação de que a busca por atendimento médico demorou mais do que o ideal.
É uma coisa que a gente vê em outras pessoas, mas acha que não vai acontecer conosco, relatou Juliana sobre o impacto inicial da doença.
O percurso terapêutico dela foi abrangente, incluindo sessões de quimioterapia, radioterapia e, na fase final, a braquiterapia. Durante os meses de deslocamento e cuidados médicos, o filho de Juliana, Taynan Castanheira, esteve presente como esteio emocional. Taynan avistou o sino logo na primeira consulta de radioterapia e guardou a expectativa de ver a mãe tocar o instrumento ao término das aplicações, meta que se consolidou na celebração recente.
Diagnóstico precoce e o alerta preventivo
No caso de Ilda Valandro, dona de casa residente em Iraceminha, no Extremo-Oeste catarinense, o diagnóstico de câncer de mama ocorreu em janeiro deste ano, decorrente de uma mamografia realizada em novembro de 2025. O protocolo clínico exigiu cirurgia e sessões de radioterapia antes que ela pudesse comemorar a nova fase.
Durante a cerimônia, Ilda reforçou a importância de manter consultas regulares e exames preventivos em dia, especialmente no contexto das campanhas do Outubro Rosa.
Então eu deixo o alerta para as mulheres se cuidarem, fazerem os exames anualmente, afirmou Ilda Valandro.
Acolhimento regional e a tradição do sino
Organizada pela Rede Feminina de Combate ao Câncer em conjunto com a Casa de Apoio Iracema Córdova, a celebração contou também com a entrega de coroas simbólicas às duas pacientes. O espaço assistencial abriga pacientes do sexo feminino e crianças em tratamento oncológico que chegam a Chapecó vindas de outros municípios, contando com 12 dormitórios, refeitório, capela, sala de convivência e terapias integrativas.
Para Ivolde Bigolin, coordenadora da instituição de acolhimento, o momento festivo coroa o empenho das famílias e a resiliência demonstrada ao longo de meses de rotinas hospitalares exaustivas.
O costume de soar o sino após o tratamento oncológico é inspirado em uma antiga tradição da Marinha dos Estados Unidos, onde os marinheiros badalavam o sino para sinalizar o fim de uma missão militar. No ambiente hospitalar, a prática representa o encerramento das etapas terapêuticas e a renovação das perspectivas de vida.



