PL domina Câmara e articulações para presidência da Casa esquentam
A nova configuração da Câmara dos Deputados, que assume em fevereiro de 2027, alterou profundamente o xadrez político brasileiro. O Partido Liberal (PL) consolidou sua hegemonia ao eleger 121 parlamentares, garantindo a maior bancada da próxima legislatura. Esse novo cenário já movimenta os bastidores de Brasília, antecipando uma disputa acirrada pela presidência da Casa e a formação de novos blocos de poder.
Disputa pela presidência da Câmara
O atual presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), busca viabilizar sua permanência no comando, mas enfrenta obstáculos significativos. A resistência de setores do PL é evidente, motivada principalmente pelo alinhamento político de Motta ao governo Lula, enquanto o PL mantém oposição firme e apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Dentro do PL, os nomes do líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e do deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR) circulam como alternativas. Questionado sobre o tema, Sóstenes Cavalcante declarou que “não é hora de falar sobre isso”. A estratégia do partido pode envolver uma troca de apoios entre a Câmara e o Senado, onde Rogério Marinho (PL-RN) é cotado para a presidência da Casa Alta.
Mudança no equilíbrio de forças
O PL registrou um salto expressivo, saindo de 97 cadeiras em 2022 para 121 em 2026. Em contrapartida, a federação União Progressista, que uniu União Brasil e PP, viu sua representação cair de 105 para 87 parlamentares. A federação PT-PCdoB-PV obteve crescimento, atingindo 88 cadeiras.
Apesar do tamanho da bancada, o PL ainda precisa construir alianças, já que a maioria absoluta para aprovação de projetos exige 257 votos. Partidos como PSD (43) e Republicanos (41) tornam-se peças-chave na balança decisória da próxima gestão.
Recorde de representatividade feminina
Além das disputas partidárias, a próxima legislatura marcará um avanço histórico para as mulheres. Serão 109 deputadas ocupando cadeiras na Câmara, um crescimento de 21,1% em relação às 90 parlamentares atuais. Sobre esse marco, o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou: “Mais mulheres no Plenário significam mais vozes no diálogo e mais força para pautas que fazem diferença na vida das brasileiras e de suas famílias”.
A renovação será ampla, com 183 deputados em primeiro mandato, 301 reeleitos e o retorno de 29 ex-parlamentares. A partir de 2027, a governabilidade e a definição da agenda legislativa dependerão diretamente da habilidade das lideranças em costurar acordos com o chamado Centrão, definindo os rumos do país nos próximos anos.



