Buscas avançam após ataque russo que matou 37 civis na Ucrânia
Ação atingiu um porão reforçado pela União Europeia que funcionava como centro humanitário em Zaporizhzhia.

As autoridades de socorro seguem empenhadas nas buscas por aproximadamente 50 pessoas que continuam desaparecidas na sequência de uma violenta ofensiva militar russa contra um polo de assistência social situado em Komyshuvakha, área de Zaporizhzhia, no sudeste ucraniano. O trágico episódio resultou na morte de ao menos 37 indivíduos.
Destruição de abrigo fortificado
De acordo com o relato do governador regional, Mykhailo Semikin, o alvo atingido funcionava simultaneamente como refúgio e central para a distribuição de mantimentos essenciais. No momento do impacto, as vítimas abrigavam-se em um subsolo blindado, erguido com recursos financeiros da União Europeia e planejado para suportar o impacto de ofensivas bélicas convencionais.
A violência dos explosivos causou o desmoronamento completo do teto de concreto armado, gerando focos de incêndio na edificação, conforme detalhado por Semikin. Originalmente erguido no ano anterior para assegurar a continuidade das atividades escolares em meio ao conflito, o espaço teve sua finalidade adaptada para posto administrativo e distribuição de suprimentos à população diante do avanço das frentes de batalha na localidade.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, descreveu o ataque como “absolutamente horrível”.
Operações de socorro e vítimas
Em nota divulgada por meio de sua conta no Telegram nesta quarta-feira (4), o Serviço Estadual de Emergência da Ucrânia confirmou a manutenção ininterrupta dos trabalhos de varredura nos escombros.
O modus operandi seguiu um padrão recorrente de investidas militares, no qual as forças de Moscou disparam uma primeira rajada, aguardam o deslocamento das equipes de socorro e desferem novos golpes na sequência. Entre as vítimas fatais estão dois socorristas, nomeados pelas autoridades locais como Denys Konovalenko e Oleksiy Sushchevsky, ambos com 44 anos de idade, que haviam se dirigido ao cenário do desastre para prestar auxílio imediato.
A corporação policial ucraniana reportou ainda a perda de quatro de seus agentes na mesma ocorrência. O grupo era integrado por Mykhailo Buzhenko e Mykola Balanda, servidores com mais de vinte anos de carreira na segurança pública, além dos policiais comunitários Mykhailo Romanov e Dmytro Besedin, que acumulavam mais de dez anos de atuação na mesma função.
Histórico recente de bombardeios
O episódio em Zaporizhzhia soma-se a uma série de ofensivas de grande proporção registradas nos últimos meses em território ucraniano. No mês anterior, um total de 33 pessoas perdeu a vida quando tropas russas alvejaram dois ônibus civis na cidade de Kramatorsk, situada na província de Donetsk.
Previamente, em agosto, um ataque com drones contra um paiol de munições próximo à capital gerou explosões contínuas e incêndios de grandes proporções em uma zona residencial nos arredores de Kiev, vitimando 38 pessoas. Meses antes, em julho, um bombardeio maciço com mísseis já havia provocado a morte de 33 moradores em diversos pontos da capital ucraniana.



