Governo trump pode perder força política e virar pato manco nas midterms
O governo do presidente americano, Donald Trump, corre o risco de se tornar um “pato manco” caso os democratas reconquistem a maioria no Congresso nas eleições de meio de mandato, as chamadas midterms. A avaliação é de Pedro Costa Júnior, doutor em Ciência Política pela USP e especialista em Estados Unidos. A expressão americana descreve uma gestão que perde governabilidade por falta de apoio legislativo.
Governança republicana sob risco Segundo o especialista, Trump chegou ao seu segundo mandato com ampla legitimidade política, impulsionado por um cenário raro de vitórias expressivas.
“Ele venceu no colégio eleitoral e no voto popular, venceu em todos os swing states“, afirmou o especialista, destacando que essa combinação de triunfos não ocorria há muito tempo.
Com o controle do Congresso, do Senado e da Suprema Corte nas mãos dos republicanos, os primeiros dois anos do atual mandato foram marcados por alta capacidade de aprovação de pautas e forte alinhamento institucional.
“Ele praticamente passou tudo o que ele quis passar nesses dois anos”, disse.
O peso das pesquisas e a renovação partidária As pesquisas atuais indicam uma possível retomada democrata na Câmara e no Senado, embora a disputa na câmara alta seja vista como mais equilibrada. Para Pedro Costa Júnior, o pleito ganha um tom de referencial sobre a gestão vigente.
“Ela é muito mais plebiscitária do que regional. É sobre a continuação dessa governabilidade ou não do governo Trump”, afirmou.
Historicamente, as eleições de meio de mandato costumam beneficiar a oposição, impondo um obstáculo natural ao partido no poder. No cenário interno, tanto republicanos quanto democratas enfrentam disputas acirradas e desafios de renovação geracional para as próximas eleições presidenciais. No campo conservador, nomes como JD Vance e Marco Rubio despontam.
“Vai ter uma briga fratricida, quase uma guerra civil entre Rubio e Vance dentro do Partido Republicano”, avaliou o especialista.
Crise econômica e conflito externo A baixa popularidade de Trump, que registra 31% de aprovação — apontada como a maior rejeição da história para um presidente americano —, é sustentada por dois pilares principais. O primeiro é a inflação persistente, que o atual governo prometeu conter mas não obteve sucesso.
“Ele disse que os democratas não controlaram a inflação e que ele, como homem dos negócios, faria esse controle. Não conseguiu”, afirmou.
O segundo fator é o envolvimento prolongado em um conflito armado com o Irã, contrariando promessas de campanha de evitar novas guerras. A promessa inicial de um conflito rápido deu lugar a uma guerra que já ultrapassa seis meses, afetando os custos de energia e desgastando a base de apoio de Trump.



