Emerson Fittipaldi avalia nova geração da Fórmula 1 e defende volta da Argentina
Bicampeão mundial exalta o talento e a pouca idade de Kimi Antonelli, além de pedir ampliação de etapas no continente latino-americano.

O surgimento de pilotos cada vez mais precoces na elite do automobilismo mundial representa uma consequência direta da preparação iniciada ainda na infância, segundo avaliação do ex-piloto brasileiro Emerson Fittipaldi.
A ascensão dos jovens talentos na categoria
O bicampeão mundial apontou que essa tendência ocorre em todas as modalidades esportivas no cenário global. “É ótimo ver a chegada da nova geração, como acontece em todos os esportes no cenário internacional. Hoje, os jovens começam aos seis, cinco ou até quatro anos de idade”, afirmou o brasileiro de 79 anos à Reuters, neste sábado (7), em Interlagos, no Grande Prêmio de São Paulo.
Com o título de Kimi Antonelli pela Mercedes nesta temporada, aos 20 anos, Fittipaldi acabou saindo do grupo dos cinco campeões mais jovens da história da categoria máxima do esporte a motor.
O histórico do recorde e a trajetória de Antonelli
Em 1972, Fittipaldi faturou seu primeiro campeonato mundial com 25 anos, marca que permaneceu como a mais jovem da história até 2005, quando Fernando Alonso conquistou o caneco com 24 anos.
Diferente dos atletas atuais que iniciam no kart muito cedo — caso de Antonelli, introduzido no esporte aos cinco anos pelo pai —, o brasileiro começou apenas aos 17 anos e alcançou o topo da modalidade oito anos depois, correndo pela Lotus e pela McLaren.
Para o dono de dois títulos mundiais, o sucesso do italiano reflete tanto os novos tempos quanto uma habilidade fora do comum. “Ele já demonstrou maturidade e teve um desempenho muito bom sob pressão”, destacou, relembrando a vitória de Antonelli em Monza após largar na 19ª posição.
O próprio piloto da Mercedes comentou sobre o feito que marcou sua campanha rumo ao topo. “Depois de receber a punição pela troca do motor, obviamente largando do fundo do grid, eu não esperava um resultado daqueles. Quando consegui, pensei: ‘Tudo bem, agora, independentemente do que aconteça, temos que ir em frente e vencer’”, contou o italiano à Reuters nesta semana.
Expansão da Fórmula 1 na América Latina
Além de analisar o grid atual, Fittipaldi defendeu o fortalecimento da presença da categoria na América Latina e incentivou o retorno da Argentina ao calendário oficial da competição.
O ex-piloto revelou que viajará à Argentina para conferir as obras de reforma no Autódromo Oscar y Juan Gálvez, localizado em Buenos Aires, que está fora do circuito desde 1998. “Acredito que é muito importante que a América Latina continue tendo uma presença forte. Temos o Grande Prêmio do México, que é espetacular, o Grande Prêmio do Brasil e esperamos que a Argentina volte. São três corridas históricas”, afirmou.
A movimentação argentina ocorre justamente quando São Paulo garantiu a extensão de seu contrato para sediar corridas até o ano de 2035.
Tradição e legado regional
Para reforçar seu ponto sobre a importância do continente, Fittipaldi lembrou os grandes ícones que marcaram a história da modalidade, como o pentacampeão argentino Juan Manuel Fangio e o compatriota Carlos Reutemann.
O histórico latino também engloba as vitórias do mexicano Sergio Pérez e os oito títulos mundiais conquistados por pilotos do Brasil, divididos entre os três campeonatos de Nelson Piquet, as três taças de Ayrton Senna e as duas conquistas do próprio Emerson Fittipaldi.


