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Brasil

Documentário inédito revela os bastidores de maria antonieta

Produção da mubi resgata registros íntimos feitos por eleanor coppola durante as gravações do clássico dirigido por sua filha sofia.

Eleanor Coppola faz carta de amor à filha em “Making Marie Antoinette”

Duas décadas após o início de uma das produções mais ambiciosas do cinema contemporâneo, os registros exclusivos feitos nos bastidores de “Maria Antonieta” ganharam as telas no documentário “Making Marie Antoinette”. A obra, editada por Aaron Matthews e produzida por Sofia Coppola, chega ao catálogo da plataforma Mubi trazendo um olhar sensível, curioso e totalmente materno sobre a grandiosa cinebiografia da rainha francesa rodada em 2005.

H2 O olhar intimista de eleanor coppola no set de filmagem Enquanto a cineasta comandava um orçamento de US$ 40 milhões — cerca de R$ 220 milhões — em 57 dias intensos de trabalho no Palácio de Versailles, sua mãe acompanhava tudo de perto com uma câmera em punho. Eleanor Coppola, documentarista renomada e esposa de Francis Ford Coppola, eternizou os detalhes e as angústias do projeto pioneiro que marcou a história do local.

“Ela adorava ser a observadora e comentava, surpresa, sobre como sua vida se transformou no que acabou sendo — e como pôde acompanhar, de um lugar privilegiado, tantos ambientes e mundos fascinantes que jamais imaginou conhecer. Foi maravilhoso tê-la no set. Eu estava sobrecarregada com uma produção ambiciosa, mas fiquei muito feliz com sua presença serena e com o encantamento que ela demonstrava diante da beleza visual”, disse Sofia.

H3 Diários íntimos e reflexões sobre a força feminina O documentário intercala as imagens de arquivo com trechos narrados do diário pessoal de Eleanor e entrevistas colhidas durante as filmagens. Nesses escritos, a matriarca reflete sobre a sensibilidade da filha, a grandiosidade da produção e o desafio de se firmar em um mercado cinematográfico fortemente dominado por homens.

“[O documentário] Me permitiu ver partes que eu ainda não conhecia — fileiras intermináveis ​​de perucas na área dos figurantes, uma multidão de pessoas e a imensa quantidade de trabalho envolvida. Foi difícil me ver ali, como uma diretora jovem, ainda insegura sobre como afirmar minha própria voz. Espero que quem aprecia o filme consiga sentir como era estar naquele set e o que significava defender um ponto de vista feminino em uma época em que isso não era comum“, escreveu Sofia.

“Sinto-me grata por compartilhar esse presente que minha mãe me deixou, convidando o público a visitar, junto conosco, aquele set em Versalhes — por meio do olhar dela.”

H2 Tradição familiar e a herança do cinema Casada há mais de seis décadas com o diretor de “O Poderoso Chefão”, Eleanor abdicou de parte de sua trajetória artística para cuidar da família, criando os três filhos — Gian-Carlo, Roman e Sofia — em meio a sets de filmagem. Ela própria acumulou prêmios importantes na carreira, como um Emmy pelo aclamado documentário “Hearts of Darkness: A Filmmaker’s Apocalypse”, sobre os bastidores caóticos de “Apocalypse Now”.

No set de “Maria Antonieta”, a atmosfera de união familiar era evidente. O primo da diretora, Jason Schwartzman, interpretou o rei Louis XVI, enquanto o irmão Roman atuou como segundo diretor. A protagonista Kirsten Dunst mantinha uma relação de cumplicidade com a cineasta, comparando-a a uma irmã mais velha, e a sobrinha Gia Coppola integrou o elenco de figurantes no icônico baile de máscaras.

H2 Legado preservado e despedida emocionante Para a crítica de cinema Paula Jacob, o projeto funciona tanto como uma homenagem à relação entre mãe e filha quanto como uma celebração da arte feminina. Com a morte de Eleanor em abril de 2024, aos 88 anos, o lançamento da obra ganha um peso emocional ainda maior para a família e para os admiradores do trabalho das cineastas.

Ao finalizar esse projeto após a morte da mãe, Sofia homenageia “a mulher que muito me ensinou sobre beleza e arte e como ser real e forte à sua maneira”.