Treinamento da FAB em Florianópolis simula resgates extremos no mar
Exercício militar reúne cerca de 300 profissionais e conta com a observação de delegações internacionais dos Estados Unidos e do Canadá

A Base Aérea de Florianópolis é palco do Exercício Operacional Carranca, uma grande simulação voltada para o aprimoramento de missões de busca e salvamento em ambientes terrestres e marítimos. A iniciativa mobiliza aproximadamente 300 militares e oito aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), além da participação de tropas do Exército e da Marinha para recriar cenários de socorro em condições extremas.
Como funciona a simulação de resgate
A dinâmica das atividades tem início com o alerta recebido pelos centros de coordenação, momento em que os operadores analisam as informações e estruturam o planejamento tático. Na sequência, os vetores aéreos decolam para realizar varreduras em setores específicos, localizar os alvos e executar as manobras necessárias de extração. O cronograma prevê graus progressivos de dificuldade para testar o tempo de resposta e a precisão das tropas.
O adestramento faz parte do calendário anual do Sissar (Sistema Aeronáutico de Busca e Salvamento), estrutura responsável por coordenar operações em uma área de aproximadamente 22 milhões de quilômetros quadrados que abrange todo o país e parte do Oceano Atlântico. Para cumprir os objetivos propostos, a força militar deslocou diversos modelos de aeronaves, como o cargueiro KC-390 Millennium, o patrulheiro P-95BM, o avião de busca SC-105 Amazonas e os helicópteros H-60L Black Hawk.
Importância do alinhamento operacional
O diretor do exercício, coronel aviador Davi de Abreu, enfatizou a relevância do alinhamento das tropas em campo e apontou que “esse treinamento também nos permite avaliar nossas capacidades e identificar pontos que precisam ser aperfeiçoados. Afinal, em uma situação real de emergência, precisamos estar preparados para agir de forma rápida, coordenada e eficiente”.
As missões diárias servem para consolidar os protocolos entre as tripulações a bordo e as equipes em terra, elevando o grau técnico necessário para lidar com acidentes aeronáuticos e naufrágios reais.
Presença de observadores estrangeiros
Além do efetivo nacional, o evento abriga observadores militares dos Estados Unidos, do Canadá e de nações sul-americanas e caribenhas. O objetivo da cooperação internacional é estreitar os canais de comunicação e padronizar procedimentos para futuras ações combinadas.
Em entrevista coletiva, o major da FAB Victor Saraiva detalhou a importância do intercâmbio ao afirmar que “essa pequena semente que foi plantada este ano, a gente entende que em pouco tempo, depois que visualizarem como a gente trabalha, gera lá na frente cartas de acordo operacional, documentação que facilite esse envio e troca de mensagens e informações para salvaguardar a vida humana”.
Na mesma ocasião, o major Raphael Rosa explicou que o contato com delegações estrangeiras acelera a absorção de técnicas eficientes, enquanto as tripulações brasileiras também compartilham conhecimentos obtidos em operações na Amazônia.
O intercâmbio de dados técnicos serve de base para futuras manobras conjuntas tanto em território nacional quanto no exterior. O major Saraiva reforçou essa perspectiva ao lembrar que “ano passado, eu estive no Canadá como observador. Então, a ideia é também de a gente mandar aeronaves para lá ou para os próprios Estados Unidos. A ideia é ter essa intercooperação. O ganho é exponencial”.


