26/10/2026

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Descongestionante nasal: uso abusivo gera efeito rebote

O hábito comum de recorrer a um descongestionante nasal para aliviar a congestão nasal pode esconder um perigo silencioso. O emprego frequente dessas substâncias costuma gerar o chamado efeito rebote, fazendo com que o nariz volte a entupir rapidamente e estimule novas aplicações contínuas.

Riscos da rinite medicamentosa Formulados com compostos como nafazolina e oximetazolina, esses itens não devem ser aplicados por mais de três dias seguidos sem supervisão médica. O uso prolongado acarreta o desenvolvimento da rinite medicamentosa, caracterizada pela inflamação da mucosa e piora na respiração.

“Esses medicamentos provocam a contração dos vasos sanguíneos da mucosa nasal, reduzindo temporariamente o inchaço e facilitando a respiração. Mas, quando utilizados de forma repetida e por períodos prolongados, podem causar o efeito contrário. O paciente volta a sentir o nariz entupido e acaba utilizando o produto com frequência cada vez maior”, explica o Dr. André Alencar, otorrinolaringologista e presidente da ABORL-CCF (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial).

Consequências sistêmicas e outras causas Disponíveis tanto em gotas para aplicação local quanto em fórmulas orais para gripes, tais produtos podem desencadear efeitos adversos graves. Entre as reações possíveis estão picos de pressão arterial, alterações cardíacas, insônia, cefaleia, agitação e, em casos extremos, até AVC e convulsões.

Além disso, a dificuldade respiratória contínua pode estar associada a condições como sinusite, rinite alérgica, desvio de septo ou pólipos, exigindo uma investigação médica detalhada.

“Quando a pessoa precisa usar descongestionante todos os dias para conseguir respirar, é importante investigar a causa. Nem sempre o problema está apenas no medicamento. Pode existir uma doença de base que precisa ser tratada para que o paciente consiga respirar adequadamente”, orienta Alencar.

Tratamento e prevenção Os sintomas de congestão persistente frequentemente geram distúrbios do sono, perda de olfato e respiração bucal. O tratamento varia desde a higienização com solução salina até intervenções cirúrgicas, sendo que pacientes dependentes necessitam de acompanhamento para largar o vício.

O uso correto envolve lavar as mãos, assoar o nariz antes da aplicação e evitar mirar no septo. O tema da saúde respiratória será debatido no 56º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, em Curitiba.

“O mais importante é não tentar resolver uma obstrução persistente apenas com medicamentos de alívio imediato. Precisamos identificar a origem do problema e oferecer um tratamento adequado”, conclui o especialista.