Justiça condena cafeteria após morte de menina por milkshake com avelã
Uma investigação conduzida em Londres concluiu que a morte de uma menina de 12 anos foi causada por uma grave reação alérgica após o consumo de um milkshake preparado em um liquidificador contaminado. O falecimento ocorreu em agosto de 2023, mas os desdobramentos judiciais do caso foram finalizados recentemente.
Contaminação cruzada fatal
A jovem Mia Shay St Hilaire estava acompanhada pela tia e pela irmã no Pop Inn Cafe, situado em Bermondsey, quando pediu a bebida. Câmeras de segurança registraram o momento em que o operador do estabelecimento, Baris Yucel, utilizou o recipiente sem a devida higienização para o preparo.
De acordo com a legista assistente Briony Ballard, a bebida “havia sofrido contaminação cruzada com resíduos de avelã” vindos de um “milkshake preparado anteriormente no mesmo liquidificador não lavado”. A menina apresentou anafilaxia de rápida progressão e, apesar de ser internada na UTI do Hospital Infantil Evelina London, não resistiu.
Condenação e defesa do operador
O Conselho de Southwark abriu um processo contra o estabelecimento e, em janeiro de 2025, o responsável assumiu a culpa por seis infrações relacionadas à falta de controle de alérgenos e ausência de informações para os consumidores. Como penalidade, ele recebeu uma multa de US$ 24 mil e a obrigação de cumprir 100 horas de serviços comunitários.
A defesa destacou a trajetória profissional do réu. Ao Southwark News, seu advogado afirmou que, “antes de proferir a sentença do Sr. Yucel, o juiz distrital Dean observou que o réu, de 47 anos, tinha um histórico de boa conduta e que, ao longo de seus 22 anos no setor de alimentação, não houve incidentes anteriores registrados contra ele”.
“O Pop Inn Café tinha um bom histórico de segurança alimentar, e o juiz reconheceu que o Sr. Yucel demonstrou remorso genuíno”, disse. “Ele tomou medidas imediatas para se capacitar melhor em setembro e outubro de 2023 e declarou-se culpado na primeira oportunidade”, assegurou.
Apelo dos pais por novas regras
A tragédia mobilizou a família em busca de mudanças estruturais na fiscalização de alimentos. Os pais da vítima, Adrian St Hilaire e Chanel Spence, defenderam a criação de um sistema de classificação exclusivo para o gerenciamento de alergias nos comércios do setor.
“Os consumidores confiam nas classificações de higiene alimentar ao decidir onde é seguro comer”, disseram, “mas elas não nos dizem nada sobre a maneira como um estabelecimento de alimentação gerencia seus sistemas de controle de alergias”, afirmaram.
“Deveria haver uma classificação separada e claramente visível dedicada ao gerenciamento de alergias, assim como existe a classificação de higiene alimentar. Isso permitiria que pessoas com alergias fizessem escolhas informadas sobre onde comer”, continuaram os pais da pequena Mia.
“Para famílias que convivem com alergias alimentares, comer fora não deveria estar em risco. Esperamos que lições sejam aprendidas com a morte de Mia e que mudanças sejam feitas para evitar que outras famílias passem pela devastação com a qual agora temos de conviver”, acrescentaram.
“Nenhuma família deveria jamais perder um filho nessas circunstâncias.” “Se a autoridade local tivesse garantido que as responsabilidades do café quanto ao gerenciamento de alergias fossem devidamente compreendidas e colocadas em prática, acreditamos que Mia ainda estaria viva hoje”, concluíram.



