Ucrânia retira centenas de moradores de cidade ocupada após trégua
Centenas de habitantes de uma localidade ocupada no sul ucraniano, que enfrentavam meses de isolamento sem acesso a mantimentos fundamentais, iniciaram a evacuação nesta sexta-feira (30) amparados por um cessar-fogo articulado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump.
A situação em Oleshky
Situada na província de Kherson, Oleshky permanece sob domínio russo desde abril de 2022. Dados de autoridades locais indicam que cerca de 2 mil pessoas, incluindo 50 crianças, continuavam retidas no município severamente danificado. As vias de saída estavam intransitáveis devido à presença de minas terrestres e drones, bloqueando qualquer tentativa de fuga antes do acordo.
“A delegação ucraniana, juntamente com os moradores retirados de Oleshky, partiu em direção a Anapa, na Rússia. De lá, eles seguirão de avião para Belarus e, depois, voltarão para casa de ônibus”, afirmou o parlamentar ucraniano Davyd Arakhamia no Telegram.
Crise humanitária e deterioração
A qualidade de vida na região entrou em colapso total nos últimos meses. Relatos apontam que a população passou a consumir ervas daninhas e buscar restos de comida, enquanto corpos permaneciam abandonados nas vias públicas devido à falta de condições básicas.
A trégua temporária, que expira no próximo domingo (1º), foi estendida para toda a província de Kherson. O acordo também abrandou os bombardeios na capital regional controlada por Kiev, que sofria com ataques constantes de drones russos.
Operação de resgate e autoridades presentes
O ouvidor ucraniano Dmytro Lubinets deslocou-se pessoalmente até Oleshky para coordenar a partida dos civis em direção ao território livre, marcando a primeira viagem de um alto funcionário ucraniano a zonas ocupadas desde o início do conflito.
“Estamos em Oleshky”, afirmou ele em comunicado. “As pessoas que querem ir para o território da Federação Russa estão se reunizing aqui, assim como aquelas que desejam partir para o território da Ucrânia. Todos terão essa oportunidade.”
Lubinets esteve acompanhado pela comissária de Direitos Humanos da Rússia, Yana Lantratova. A operação conta com 25 ônibus com capacidade para 750 passageiros, com previsão de chegada à fronteira ucraniana no sábado.
Destino e ajuda humanitária
Questionado sobre os residentes que decidiram não abandonar o município, o ouvidor destacou que a permanência é uma escolha individual, mas garantiu suporte.
“Disseram-me que essa é uma escolha deles. Pelo menos vamos garantir que alguma ajuda humanitária chegue até lá”, afirmou.
Historicamente, antes da guerra, Oleshky abrigava cerca de 24 mil pessoas. Especialistas estimam que 40% da população conseguiu escapar no início das hostilidades, mas o restante ficou preso com o endurecimento das rotas de fuga pelo governo russo, fato duramente criticado pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.



