31/10/2026

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Caso master: defesa de Daniel Vorcaro aposta em perícia para anular provas

Uma auditoria técnica contratada pela defesa de Daniel Vorcaro identificou a geração e a alteração de centenas de itens no telefone celular do ex-banqueiro após o dispositivo ser confiscado pela Polícia Federal.

Nova ofensiva jurídica na Operação Compliance Zero O objetivo dos advogados é esclarecer o paradeiro e o manuseio do aparelho desde novembro do ano passado, quando ocorreu a apreensão. “É uma nova frente de estratégia, de ofensiva jurídica da defesa de Daniel Vorcaro”, afirmou o analista de Política Teo Cury.

O histórico das prisões e as tratativas de delação O investigado permanece detido sem interrupções desde março deste ano, após idas e vindas que incluiu uma passagem anterior por prisão domiciliar em novembro. Durante o primeiro semestre, os defensores tentaram sem sucesso firmar acordos de delação premiada, sofrendo três rejeições — duas da Polícia Federal e uma da Procuradoria-Geral da República.

Segundo o analista, as autoridades entenderam que o delator não conseguia assegurar a veracidade dos dados oferecidos, nem apresentar elementos ou garantir a devolução dos recursos supostamente desviados. “Ele apresentou uma série de coisas, mas a Polícia Federal falou: já consegui isso, ou já consegui sem a sua ajuda”, explicou o analista.

Os apontamentos do laudo particular Com o insucesso nas negociações, o exame técnico do telefone virou a principal cartada para tentar invalidar a ação penal. A linha argumentativa sustenta que a constância da prisão fica insustentável diante de questionamentos sobre a validade da perícia oficial no equipamento, considerado a prova central da Operação Compliance Zero.

Elaborado pelo perito Marcos Monteiro, o documento relata também fragilidades na cadeia de custódia, embora evite apontar responsáveis por eventuais adulterações direcionadas. O telefone foi confiscado na noite de 17 de novembro, no aeroporto de Guarulhos, quando o executivo tentava embarcar rumo aos Emirados Árabes Unidos.

A maior incidência de alterações teria ocorrido no dia 18 de novembro, data em que 657 arquivos foram modificados e outros 436 foram gerados. O relatório contabiliza ao todo 999 arquivos criados ou modificados ao longo do período sob guarda estatal, incluindo o banco de dados principal do aplicativo WhatsApp.

Desdobramentos e pedidos judiciais O material ressalta que não há como precisar quem operou o terminal ou se houve intervenção humana deliberada, bem como o grau exato das modificações. Fundamentando-se nesses apontamentos, a defesa protocolou dois requerimentos: a liberação do conteúdo integral do aparelho e a revogação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro.