PM que matou esposa com 51 facadas pega 123 anos de prisão
O Tribunal do Júri de Santos, no litoral paulista, condenou o sargento da Polícia Militar Samir do Nascimento Rodrigues Carvalho a 123 anos e quatro meses de reclusão pelo assassinato da esposa, Amanda Fernandes Carvalho, e pela tentativa de homicídio contra a filha do casal, que tinha 10 anos na data da ocorrência.
A determinação judicial ordenou a execução imediata da pena em regime inicial fechado. Como desdobramentos da condenação, o acusado perdeu a patente militar, foi destituído do poder familiar e está banido de ocupar cargos públicos. Atendendo à acusação formulada pelo Ministério Público de São Paulo, o tribunal também arbitrou R$ 150 mil de indenização por danos morais: R$ 100 mil destinados aos herdeiros da vítima e R$ 50 mil voltados à criança sobrevivente.
Dinâmica do crime em clínica médica
O ataque violento aconteceu dentro de uma clínica de dermatologia na cidade de Santos. De acordo com os autos apresentados pelo promotor Fabio Perez Fernandez, o militar apresentava um histórico de comportamento violento na vida conjugal e se dirigiu ao local armado com uma pistola e um punhal.
Ao perceber a aproximação de Samir, Amanda correu para se abrigar em uma sala acompanhada por um médico, que entrou em contato com a polícia. No momento em que os agentes chegaram e a porta do consultório foi destrancada, o sargento disparou contra a esposa e a filha. Na sequência, passou a golpear a companheira com uma faca.
Vítima sofreu mais de 50 facadas
Amanda tinha 42 anos, trabalhava como diretora executiva e era mãe de três filhos. A mulher morreu no próprio local após ser atingida por três disparos de arma de fogo e 51 golpes de faca. A menina de 10 anos foi alvejada no braço e nas duas pernas, mas conseguiu se recuperar após um período de seis dias de internação hospitalar.
Qualificadoras elevaram cálculo da pena
Os jurados acataram todas as teses da acusação para a fixação da pena centenária. Foram reconhecidas circunstâncias qualificadoras determinantes, como feminicídio executado por meio cruel, porte de armamento de uso restrito, recurso que impediu qualquer possibilidade de defesa das vítimas e o fato de a ação criminosa ter sido praticada na presença de menor de 14 anos. Samir, que estava sob custódia desde o dia do crime, continuará detido no sistema penitenciário.



