JBS investe R$ 250 milhões na modernização do Porto de Itajaí
Ao completar dois anos sob a gestão da JBS Terminais, empresa pertencente aos irmãos Joesley e Wesley Batista, o Porto de Itajaí, em Santa Catarina, consolidou sua recuperação operacional ao ultrapassar a marca de 800 mil TEUs movimentados. O desempenho reflete uma série de intervenções estruturais que somam quase R$ 250 milhões em aportes privados, revertendo o cenário de estagnação que antecedeu a assunção do ativo.
O ritmo de crescimento fica evidente nos indicadores recentes: entre janeiro e setembro de 2026, o complexo portuário movimentou quase 500 mil TEUs, índice 73% superior ao aferido em igual período de 2022, antes da paralisação dos serviços. Com os investimentos iniciados em outubro de 2024, o teto operacional anual foi elevado para até 600 mil TEUs.
“Em dois anos, avançamos em movimentação, infraestrutura e conectividade. Fizemos investimentos para recuperar a capacidade operacional do terminal e, à medida que os volumes cresceram, seguimos ampliando e modernizando a estrutura. O objetivo é oferecer aos clientes eficiência, competitividade em custos e previsibilidade para suas operações”, afirma Aristides Russi Junior, presidente da JBS Terminais.
Tecnologia avançada e ampliação física
Para sustentar a demanda crescente, a concessionária anunciou em outubro de 2026 um aporte complementar de R$ 15,2 milhões voltado à agilidade logística e à segurança aduaneira. Entre as inovações tecnológicas adotadas está o scanner Varex VXP6, equipamento de raios X de alta resolução que viabiliza a averiguação detalhada do conteúdo dos contêineres sem necessidade de abertura física.
A fluidez no trânsito terrestre também foi aprimorada com a ampliação dos gates de acesso, que subiram de oito para dez posições, acompanhados de duas novas balanças de pesagem. No pátio de manobras, o espaço útil crescerá 25% após a demolição do antigo Armazém 3 e a incorporação final da chamada área C. Essa reorganização física adiciona 80 mil TEUs anuais ao potencial de armazenagem e melhora o aproveitamento das zonas alfandegadas.
Reforço de maquinário e frota própria
O parque de equipamentos pesados do terminal recebeu adições relevantes desde o início dos trabalhos da operadora:
Dois guindastes móveis de alta capacidade (125 toneladas cada e alcance para até 20 fileiras horizontais de contêineres) passaram a integrar as operações no cais, juntamente com 14 reach stackers para movimentações de 45 toneladas e empilhamento em até cinco níveis. Para o segmento de cargas climatizadas, a infraestrutura disponibiliza mais de 1.700 tomadas refrigeradas, além de oito gates operacionais reversíveis e 25 caminhões próprios alocados exclusivamente no translado interno entre cais e pátio.
Conectividade marítima e impacto regional
A reestruturação física abriu caminho para a expansão das escalas comerciais. O porto atende atualmente dez linhas regulares com destinos para Ásia, Europa, Américas, Oriente Médio e África, recebendo inclusive o serviço ZFS/AS2, gerido em conjunto por ZIM e Hapag-Lloyd. O planejamento prevê ainda a chegada, em janeiro de 2027, da rota compartilhada SEAS2/ESAS2, operada por um consórcio internacional que reúne gigantes como CMA CGM, COSCO, OOCL, PIL, Evergreen e Yang Ming.
“Construímos uma base operacional que nos permite buscar novas linhas e ampliar a participação de Itajaí no comércio exterior da região. O próximo passo é continuar preparando o terminal para receber mais cargas e oferecer novas conexões à indústria do Sul do país”, afirma Russi Junior.
Além da relevância para a balança comercial catarinense, a reativação do terminal gerou impactos diretos na cadeia de trabalho local. O contingente de funcionários diretos saltou de 77 para 405 postos em dois anos, além da geração estimada de 600 empregos indiretos, totalizando uma injeção de mais de R$ 360 milhões na economia do município de Itajaí.



