Quem é Márcio Canella, eleito deputado estadual do RJ com 197 mil votos e preso pela PF
O político Márcio Canella (União), ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, foi preso pela PF (Polícia Federal) nesta quinta-feira (15), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. Ele foi eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro em 2026, com 197.178 votos, o segundo maior número de votos para o cargo.
A prisão ocorre após outra detenção neste ano. Em julho, durante a sexta fase da mesma operação, investigadores encontraram um fuzil irregular em posse do político.
Márcio Canella era pré-candidato ao Senado com apoio de Flávio Bolsonaro (PL). Após a prisão em flagrante pela PF, a Procuradoria Regional Eleitoral pediu o indeferimento de sua candidatura, usando a detenção e apurações sobre supostas ligações com o crime organizado como argumento.
O TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro), porém, liberou a candidatura. Canella desistiu de disputar o Senado e decidiu concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa. Nas eleições de 2026, terminou como o segundo candidato mais votado para deputado estadual no Rio.
O que investiga a Operação Unha e Carne
A Operação Unha e Carne investiga um suposto esquema com vazamento de informações sigilosas sobre algumas ações policiais contra o CV (Comando Vermelho).
Com o avanço dessas apurações, a PF ampliou o foco para uma possível “rede de proteção ao crime organizado”, que incluiria agentes públicos, parlamentares, integrantes do Judiciário e operadores financeiros.
Segundo a PF, o esquema investigado movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, de acordo com um Relatório de Inteligência Financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, entre outros possíveis crimes.
Ação que prendeu Márcio Canella integra força-tarefa
A fase deflagrada nesta quinta-feira faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela PF para desarticular organizações criminosas que atuam no Rio de Janeiro.
A iniciativa segue diretrizes estabelecidas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. O tema foi discutido em reunião realizada em 6 de outubro entre a direção-geral da PF e o ministro Alexandre de Moraes.



