31/10/2026

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Professores temporários viram maioria e já somam 58% na rede estadual de SP

A proporção de professores temporários em sala de aula atingiu 58,2% do total de docentes na rede pública estadual de ensino de São Paulo em agosto de 2026, marcando uma inversão histórica no perfil do funcionalismo paulista.

Crescimento acelerado em oito anos

Dados oficiais da Seduc-SP, obtidos pelo Centro do Professorado Paulista por meio da LAI, mostram que o contingente de educadores sem vínculo efetivo mais que triplicou no período, subindo de 28.288 profissionais em 2018 para impressionantes 94.109 em 2026.

Mudança na estrutura da rede pública

Anteriormente, essa modalidade de contratação correspondia a apenas 18,8% dos docentes em regência de classe no estado, em 2018. Essa alta expressiva transformou a estrutura educacional em meio à retração do quadro geral de professores, que caiu de 171,1 mil em 2025 para 161,7 mil em 2026.

O estado contabilizou 169.495 desligamentos de docentes entre janeiro de 2018 e agosto de 2026. Desse modo, o modelo de contratação temporária — criado originalmente para suprir licenças médicas e afastamentos pontuais — transformou-se na principal engrenagem da administração estadual.

Concursos públicos e novas contratações

A proliferação de contratos emergenciais avançou mesmo após a homologação do concurso público em 2023. Embora a gestão estadual tenha nomeado 10.254 efetivos em 2025 e mais 3.167 até agosto de 2026, a chegada dos aprovados não conteve o avanço provisório, visto que apenas nos primeiros oito meses de 2026 o governo formalizou mais de 36 mil novos contratos temporários.

Para o presidente do CPP, o pedagogo e advogado Alessandro Soares, essa volatilidade contratual fragiliza as escolas públicas e prejudica a aprendizagem dos estudantes ao romper o elo de confiança entre professor, aluno e comunidade escolar. Segundo ele, a troca frequente de docentes impede a consolidação de projetos pedagógicos de médio e longo prazo.

Desafios e caminhos para o futuro

Além dos impactos negativos em sala de aula, os educadores temporários lidam com interrupções salariais periódicas entre um contrato e outro, menor acesso a programas de formação continuada e barreiras para assumir funções de coordenação pedagógica, sobrecarregando os servidores fixos das unidades escolares.

Diante desse cenário, a instituição aponta a realização urgente de concursos públicos amplos e frequentes, aliados a planos de carreira estruturados, como o único caminho viável para assegurar a estabilidade funcional e resgatar a qualidade do ensino público no estado de São Paulo.