22/10/2026

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Inquérito contra Flávio Bolsonaro no STF fica com Moraes

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi designado para relatar uma nova apuração que mira o senador Flávio Bolsonaro. O procedimento apura supostas práticas de lavagem de dinheiro e teve como base um relatório encaminhado pela Polícia Federal à Suprema Corte.

Origem do inquérito e conexões com setor de apostas

A apuração atual deriva de um procedimento anterior instaurado pela PF no Rio Grande do Sul, focado em plataformas de pagamentos eletrônicos e no mercado de apostas. Durante as diligências em primeira instância, os policiais apontaram “elementos indicativos de vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto”. Essa empresa obteve pioneirismo em concessão estadual no Rio de Janeiro para atuar em apostas esportivas.

A constatação de que dois sócios formais da companhia teriam proximidade com o advogado Willer Tomaz motivou o aprofundamento das apurações contra ele. Após a Justiça autorizar a quebra do sigilo de dados em nuvem do celular do advogado, os agentes identificaram trocas de mensagens e registros associados a Flávio Bolsonaro.

Competência do STF e indícios apontados pela PF

Em razão do mandato de senador exercido pelo parlamentar, a competência para conduzir o procedimento recaiu sobre o Supremo. Ao remeter o material aos ministros, a corporação justificou: “Registra-se, por fim, que o material analisado contém referências a autoridades detentoras de foro por prerrogativa de função, notadamente parlamentar federal”.

O relatório também ressalta a abrangência dos contatos do advogado: “A análise da trajetória pessoal e dos dados relacionados a Willer revelou a existência de uma ampla rede de contatos com agentes públicos e figuras de projeção política, incluindo políticos, servidores públicos, integrantes do Ministério Público e pessoas vinculadas ao Poder Judiciário (…)”.

Em outro trecho, os investigadores destacaram que “entre os vínculos que merecem especial atenção está aquele relacionado ao senador Flávio Bolsonaro, cuja proximidade com o investigado aparece indicada nos elementos analisados”. O levantamento cita compromissos sociais, encontros, reuniões e custeio de deslocamentos.

Além de afirmar que “durante as análises, foram identificados diversos elementos que evidenciam uma relação de proximidade entre Willer e Flávio Bolsonaro”, a PF identificou uma conta bancária da firma Alcazar Holding na qual o senador constava cadastrado como “usuário master”. Os peritos também rastrearam movimentações de aproximadamente R$ 130 milhões entre março e maio de 2025 em uma das contas do advogado, defendendo apuração detalhada sobre as origens e os destinos do montante.

Manifestação das defesas

Procurada, a equipe jurídica de Flávio Bolsonaro não se pronunciou sobre o caso. Já a assessoria jurídica de Willer Tomaz criticou a condução do processo, sustentando que “causa estranheza o vazamento, num domingo e a poucas horas do debate entre os candidatos à Presidência, de um suposto inquérito até então desconhecido”.

A nota da defesa prossegue: “Trata-se do uso indevido do aparato policial com o claro propósito de requentar acusações infundadas e interferir no resultado das urnas. A Rede Loto jamais operou como plataforma de apostas, e a Cathedral é tão somente uma holding patrimonial. Não houve circulação de recursos entre as empresas mencionadas”.

O comunicado reforça que “portanto, inexiste qualquer movimentação financeira irregular” e conclui: “É igualmente inaceitável que a quebra do sigilo telemático do advogado Willer Tomaz sirva de instrumento para uma ‘pescaria probatória’ destinada a fabricar falsos escândalos com fins político-eleitorais”.

Histórico de investigações

Em agosto, Tomaz havia sido alvo de mandados judiciais de busca e apreensão no âmbito da Operação Sem Desconto, medida autorizada pelo ministro André Mendonça para averiguar hipóteses de lavagem de capitais e ocultação de bens ligadas a outro parlamentar, o senador Weverton Rocha.