Governo lula precisa estancar crise com mercado, avalia especialista
O principal obstáculo para a atual gestão federal será estancar o desgaste nas relações com os investidores. A constatação é de Lucas de Aragão, cientista político e sócio da Arko Advice, durante entrevista concedida ao programa Hora H. Na visão do analista, reaver a confiança dos agentes econômicos demanda um planejamento abrangente que ultrapassa a simples nomeação de um novo titular para o Ministério da Fazenda.
A escolha do comando econômico
Ao comentar sobre os possíveis nomes cotados para a pasta, o especialista pontuou: “Acho que está entre o Geraldo Alckmin e o Rafael Fonteles, talvez com uma leve vantagem em direção ao Alckmin. Também não pode se descartar um nome do próprio mercado, apesar de achar que esse cenário é menos provável”.
Contudo, a restauração da confiança exige um processo gradual. Aragão enfatizou que a definição da chefia econômica representa apenas o passo inaugural: “Não tem bala de prata nessa reconstrução de credibilidade”.
Tensões políticas e ajuste fiscal
O especialista recordou o histórico recente de atritos entre a equipe econômica, personificada anteriormente por Fernando Haddad e Dario Durigan, e a articulação política liderada pela Casa Civil e pelo próprio presidente, apontando que as diretrizes da Fazenda frequentemente perdiam espaço para o cenário político.
Para que a reviravolta seja concreta, o analista defende que são imprescindíveis uma nova postura da presidência da República e a apresentação de diretrizes fiscais sólidas. Sobre a viabilidade dessas medidas, ele alertou: “Não vai adiantar um ministro da Fazenda que, individualmente, tenha boa vontade do mercado se ele não conseguir impor algumas agendas que são amargas e não conversam com as propostas de campanha”.
O peso do Centrão na articulação
Outro ponto central abordado na entrevista foi a indispensabilidade de manter diálogo com o Centrão para assegurar a estabilidade administrativa. O cientista político classificou como temerário tentar governar sem esse apoio no Congresso Nacional. “O Centrão vai ser o fiador de qualquer mínima governabilidade desse governo”, declarou.
Lembrando episódios da administração anterior e reveses recentes no Legislativo, Aragão reforçou que a articulação tanto na Câmara quanto no Senado demanda interlocutores hábeis. “Alguns nomes fora do PT podem ajudar nesse diálogo”, concluiu o especialista sobre a estratégia necessária para evitar derrotas institucionais.



