Lula diz que parte das mortes por covid poderia ser evitada e critica gestão de Bolsonaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que quase metade dos óbitos provocados pela covid-19 no país poderia ter sido prevenida, direcionando duras críticas à maneira como o ex-presidente Jair Bolsonaro administrou a crise sanitária. A discussão sobre a saúde pública ocorreu durante o debate da Band realizado neste domingo (18).
Estudos epidemiológicos e o impacto na saúde “Então nós temos 716 mil pessoas que morreram nesse país, quase metade poderia ter sido salva”, afirmou Lula. O chefe do Executivo apontou que a negligência em relação às diretrizes científicas, a escassez de imunizantes e a crise no abastecimento de oxigênio foram fatores determinantes para o agravamento da tragédia.
Em 2023, um levantamento publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia indicou que cerca de 391.647 vidas poderiam ter sido salvas até meados de 2022 caso houvesse antecipação da vacinação e adoção rigorosa de medidas não farmacológicas. A pesquisa também apontou que uma cobertura vacinal de 80% até maio de 2021 teria evitado quase 60% das ocorrências fatais.
O confronto de narrativas no debate Ainda durante o embate político, o presidente argumentou que o ex-mandatário falhou ao ignorar os especialistas da área médica.
“A única coisa que ele tinha que fazer era auscultar a ciência, auscultar os médicos, para que os médicos deviam saber o que fazer”, declarou.
Em resposta às acusações, o senador Flávio Bolsonaro admitiu dificuldades enfrentadas pela gestão anterior, mas defendeu o esforço do pai diante de um cenário global inédito.
“Eu faço aqui essa minha culpa. Tivemos uma pandemia, dois anos de pandemia, uma coisa nova, que ninguém sabia direito como enfrentar, mas o Bolsonaro deu o seu melhor”, declarou. O parlamentar também argumentou que o governo adquiriu imunizantes e tentou redirecionar o foco do debate para a segurança pública, questionando índices de homicídios em administrações petistas.
Investimentos e o futuro do SUS Aproveitando o espaço de discussão sobre infraestrutura hospitalar, Lula cobrou explicações sobre a situação de unidades federais de saúde no Rio de Janeiro e destacou iniciativas voltadas para a agilização no diagnóstico e tratamento oncológico, fixando a meta de trinta dias para o atendimento.
O confronto direto evidenciou as divergências profundas entre a atual administração e a oposição no tocante ao legado da gestão da pandemia no Brasil.



