Lula cobra desculpas de Flávio por ‘nove dedos’ em debate presidencial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confrontou o candidato Flávio Bolsonaro durante um debate presidencial após relatar ter sido chamado de “nove dedos” pelo adversário no bloco anterior. A discussão esquentou quando o petista associou a ofensa à sua trajetória na classe trabalhadora e exigiu uma retratação pública ao vivo.
A discussão sobre políticas sociais e o passado legislativo O embate político começou quando os candidatos debateram diretrizes sociais e o histórico de votações no parlamento. Lula questionou a postura de Flávio quando atuava como deputado estadual no Rio de Janeiro, período em que votou de forma contrária a uma proposta voltada para a ampliação da licença-maternidade.
Em sua defesa, o representante do PL argumentou que, naquele momento específico, avaliava que a obrigatoriedade poderia gerar barreiras para a contratação feminina no mercado corporativo, ponderando contudo que hoje adotaria um posicionamento diferente sobre o tema.
A exigência de retratação e a defesa da trajetória operária Retomando o episódio do apelido pejorativo, o atual chefe do Executivo afirmou categoricamente que não toleraria ser rotulado dessa maneira por rivais políticos durante a disputa eleitoral.
“Ele me chamou de ‘nove dedos’. E eu quero que ele saiba de uma coisa: se tem alguém aqui nesse púlpito que sabe o que é o mundo do trabalho, sou eu! Se tem alguém que perdeu um dedo dentro de uma metalúrgica, fui eu, trabalhando à noite para que pudesse trabalhar!”, declarou Lula, associando o acidente laboral às dificuldades enfrentadas historicamente pela classe trabalhadora brasileira.
Em seguida, o presidente elevou o tom contra o oponente: “Não vou permitir que um miliciano me chame de ‘nove dedos’! Não vou permitir! Não vou permitir!”
As desculpas do senador e as críticas econômicas Na sequência regulamentar da tréplica, o senador cedeu ao pedido e se retratou com o mandatário, embora tenha direcionado o foco imediatamente para críticas direcionadas à condução da economia e à pobreza no país.
“Lula, se você se sentiu ofendido por eu ter te chamado de ‘nove dedos’, eu te peço desculpas de verdade. Não queria que você se ofendesse. Peço desculpas de verdade”, afirmou Flávio Bolsonaro.
Logo após o pedido de desculpas, o candidato oposicionista inquiriu o petista a respeito do quantitativo de cidadãos vivendo nas ruas e questionou a eficácia das medidas de assistência implementadas pela administração federal.
O debate sobre o Bolsa Família Ainda durante a discussão, o candidato do PL voltou-se diretamente aos cidadãos cadastrados nos programas de transferência de renda, alegando que o atual governo teria negligenciado a parcela mais vulnerável da população até o período pré-eleitoral.
“Eu quero saber se você vai pedir desculpas, Lula, pro pessoal que recebe Bolsa Família, você que recebe Bolsa Família, você foi esquecido pelo atual governo por 4 anos. Sabe quando ele lembrou de você? Há 17 dias! Ele lembrou de você porque você vota!”, declarou o senador.
O político também ironizou a proporção do reajuste concedido aos beneficiários: “Faltando pouco tempo para a eleição, foi ele que lembrou de você e que deu um reajuste de R$ 3 por dia. R$ 3 por dia! Você compra… três ovos com isso, olha lá!”
Outros temas abordados no confronto Além da assistência social e do valor dos benefícios, a pauta do debate abrangeu áreas sensíveis como segurança pública, combate à violência contra as mulheres, o endividamento crônico das famílias brasileiras e a alta generalizada no custo dos alimentos nos supermercados.
O confronto entre os dois principais nomes na corrida pelo Palácio do Planalto escancarou o choque de narrativas sobre a economia real, unindo o resgate biográfico do presidente e a ofensiva da oposição na reta final do pleito.



