24/10/2026

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Flávio Bolsonaro e Lula discutem dívida pública e juros altos em debate

O controle da dívida pública e o impacto da política econômica no bolso dos cidadãos foram os principais alvos de um intenso embate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) durante o último debate presidencial realizado pela TV Globo na última sexta-feira (23).

Critíticas ao atual cenário fiscal do país Segundo o candidato Flávio Bolsonaro, a administração federal atual deixou um rombo de R$ 11 trilhões, o que elevou a taxa básica de juros para 14% ao ano. O postulante ao cargo argumentou que o excesso de gastos públicos e a elevação de tributos prejudicam a estabilidade financeira das famílias.

Durante o confronto, ele direcionou um questionamento direto ao oponente: “Por que você está deixando as famílias brasileiras endividadas, já que, uma vez que a dívida do governo cresce, a dívida das famílias cresce junto?”

Além disso, Flávio defendeu a manutenção da autonomia do Banco Central, medida que considera um legado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para ele, a independência da instituição evita pressões políticas que poderiam “explodir a taxa de juros, explodir a inflação”, fazendo um paralelo com a crise econômica vivida na Argentina.

Proposta para o endividamento das famílias Como promessa de campanha voltada para a recuperação do poder de compra, o candidato do PL afirmou que pretende acionar a Caixa Econômica Federal para adquirir os débitos dos cidadãos junto às instituições financeiras privadas, facilitando as parcelas.

“Você vai ter seis meses de carência no pagamento da sua dívida, você não vai pagar nada. E você que é pessoa jurídica vai ficar um ano com a sua dívida parada”, garantiu, com o objetivo de reativar o consumo no comércio nacional.

A resposta e a acusação de plágio do governo Em sua tréplica, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu as críticas e afirmou que a iniciativa apresentada pelo adversário na verdade requenta uma proposta já enviada pelo Executivo ao Senado Federal.

“Nós vamos comprar nos bancos e vamos vender essa dívida com 90, 94 por cento, até 96 por cento de deságio”, declarou o petista, mencionando também o perdão de quase R$ 15 bilhões em débitos voltados a 4 milhões de Microempreendedores Individuais (MEIs).

Visão sobre o Banco Central e o PIB O chefe do Executivo também culpou o atual modelo de independência do Banco Central pelas taxas elevadas de juros, que permanecem na casa dos 13%. Para ele, o equilíbrio fiscal não deve ser alcançado por meio de cortes severos em investimentos sociais, mas sim com o fomento à atividade econômica.

“Quanto mais a economia crescer, mais a gente vai poder diminuir a dívida e mais a gente vai gerar os empregos que você precisa”, pontuou o candidato, associando a valorização do salário mínimo ao avanço do Produto Interno Bruto (PIB).