27/10/2026

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Empresária investigada com Lulinha declara apoio a Flávio Bolsonaro

A empresária Roberta Luchsinger anunciou neste domingo (25), por meio de suas redes sociais, o voto no candidato Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno da disputa presidencial. A decisão ocorre em meio a investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre seu vínculo com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS“, e com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Mudança de posicionamento político

Segundo a manifestação publicada na internet, a escolha pelo parlamentar foi motivada pela expectativa de renovação na política nacional.

“No primeiro turno, votei nulo. Neste segundo turno, decidi votar em Flávio”, disse em publicação nas redes. A postagem acrescenta que a motivação partiu da “esperança de que o Brasil possa iniciar um novo ciclo”.

Em outro trecho da manifestação pública, a investigada pontuou que o cenário político atual exige novas prioridades e menor grau de confrontação entre os atores políticos.

“Os brasileiros querem soluções concretas para os problemas do presente e perspectivas reais para o futuro. O país precisa de menos polarização, menos discursos de enfrentamento e mais resultados”, afirmou na publicação.

Investigações da Polícia Federal

A mulher, de 41 anos, é alvo da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes bilionárias na previdência social. No âmbito das apurações, ela já foi submetida a medidas cautelares como busca e apreensão, bloqueio de bens e valores, além do uso de tornozeleira eletrônica. As autoridades federais também apuram um suposto tráfico de influência no governo federal envolvendo seu nome e o de Lulinha.

Nas últimas semanas, a relação com o governo sofreu desgaste público e a empresária sinalizou a intenção de firmar um acordo de delação premiada. Em entrevista exclusiva concedida no dia 17 de outubro, ela indicou que eventuais revelações poderiam atingir o atual mandatário e seu filho, mencionando a existência de informações adicionais às que constam em registros digitais de mensagens.

“O que eu teria a acrescentar? Talvez detalhes que não estão ali dentro do WhatsApp, porque a vida da gente não é só no WhatsApp, é no mundo normal. Você conversa com as pessoas, fala sobre projetos. Você sabe das coisas, assiste coisas, vê coisas, tem como colaborar, muitas das vezes, com coisas que você não participou, mas assistiu”.

Repercussão do governo e da defesa

Em resposta às movimentações, a equipe de comunicação do presidente Lula emitiu um posicionamento oficial afirmando que o chefe do Executivo “desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger”.

O comunicado do governo acrescenta os seguintes esclarecimentos:

“Como já esclareceu em outras ocasiões, jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimento de supostas tratativas como as mencionadas. Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta”.

A nota oficial do Palácio do Planalto também criticou o momento escolhido para a divulgação das declarações:

“Causa estranheza que essas declarações sejam lançadas justamente às vésperas do segundo turno da eleição. O Brasil já assistiu, em outros processos eleitorais, à divulgação de denúncias sem comprovação, usadas como instrumento de manipulação da opinião pública. A repetição desse expediente representa uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores.”

Por sua vez, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva refutou qualquer envolvimento em irregularidades, classificou as acusações como incompatíveis com os depoimentos prestados pela investigada e atribuiu a situação a vazamentos direcionados durante o período eleitoral.

A íntegra da nota divulgada pelos advogados de Lulinha detalha o posicionamento:

“Fábio Luís Lula da Silva não cometeu nenhuma irregularidade e teve seus dados bancários, fiscais e telemáticos abertos, colocando-se à disposição da Justiça para colaborar com as investigações desde o primeiro momento. Sua relação com políticos de qualquer natureza, inclusive os que eventualmente se tornaram ministros de Estado, é de natureza pessoal e resultante de seu convívio desde a infância, sem qualquer troca de viés ilegal ou não republicano. As recentes insinuações públicas de Roberta Luchsinger são incompatíveis com seu depoimento às autoridades. Isso retrata, mais do que qualquer coisa, sua contrariedade tanto em relação às declarações do Presidente da República sobre seu caráter quanto, de forma compreensível, em relação ao incessante ataque resultante de vazamentos criminosos que têm o evidente objetivo de controlar a pauta da imprensa em período eleitoral. Quanto às investigações abertas, tudo até o momento indica manipulação, direcionamento e pescaria probatória: desde a quebra de sigilo telefônico de Roberta Luchsinger na investigação do INSS, que buscou dados sobre Fábio Luís de anos antes de Roberta sequer conhecer Antônio Camilo, até os reiterados vazamentos ilegais. Assim como fez em diversas acusações anteriores, inclusive na operação do INSS em que não foi nem sequer indiciado, Fábio Luís comprovará sua inocência nos autos, após ter contato com dados e provas concretas”.