31/10/2026

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Ibovespa sofre quinta maior queda semanal desde o Plano Real

O mercado financeiro brasileiro fechou uma semana extremamente negativa com o Ibovespa acumulando uma retração superior a 18% até o dia 30 de outubro. Essa baixa histórica representa a maior desvalorização semanal desde março de 2020, período inicial da crise sanitária global, e consolida a quinta maior queda desde o surgimento do Plano Real em 1994.

A reação dos investidores após a reeleição Segundo dados levantados pela consultoria Elos Ayta, a porcentagem exata de perda iguala o recuo visto na semana dos atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos. A forte onda de vendas teve como principal motor a reprecificação dos ativos nacionais na esteira da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nesta sexta-feira, o principal índice acionário brasileiro registrou sua quinta sessão consecutiva no vermelho, recuando 0,75% e fechando o mês de outubro com uma perda acumulada de 9,75%, o pior desempenho mensal desde junho de 2022. Apesar do tombo recente, o acumulado de 2022 ainda exibe um saldo positivo de 4,22%.

O impacto bilionário na B3 O cenário de pânico nos negócios ganhou força logo na segunda-feira pós-eleição, quando a praça financeira acionou o mecanismo de circuit breaker após o índice despencar quase 14% em meio a uma volatilidade extrema.

O estudo estatístico da Elos Ayta aponta que essa sangria nas negociações resultou em uma destruição de R$ 873 bilhões no valor de mercado somado de todas as companhias presentes na B3.

Crises internacionais versus fator político O ranking das maiores perdas semanais da história do termômetro da bolsa nacional é liderado pelo dia 31 de outubro de 1997, quando o indicador despencou 22,17% pressionado pela crise asiática. Em segundo lugar figura a semana de 10 de outubro de 2008, com baixa de 20,01% provocada pela falência do Lehman Brothers.

A terceira posição pertence à semana de 20 de março de 2020, com 18,88% de baixa devido à Covid-19, seguida pelo recuo de 18,12% em 14 de setembro de 2001 por causa dos ataques terroristas americanos.

A derrocada recente difere dos demais recordes negativos por ter motivação essencialmente interna. Enquanto os quatro maiores tombos anteriores responderam a choques externos da economia global, o evento atual decorre diretamente da reavaliação de expectativas do empresariado e do capital estrangeiro frente ao cenário político brasileiro.