26/10/2026

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Biblioteca centenária na fronteira entre EUA e Canadá ganha nova entrada

Na cidade fronteiriça de Derby Line, com cerca de 700 habitantes, os territórios dos Estados Unidos e do Canadá se fundem no cotidiano. O principal símbolo dessa união secular é a Haskell Free Library and Opera House, inaugurada em 1901 com a linha divisória internacional marcada no piso exatamente no meio do edifício.

História e tradição centenária Enquanto o térreo abriga um acervo em inglês e francês, o andar superior conta com um teatro onde a plateia se senta em solo americano com os pés posicionados no Canadá. Por mais de cem anos, os cidadãos canadenses podiam utilizar a entrada principal situada no lado dos Estados Unidos sem precisar passar por um posto de controle alfandegário oficial.

“Eu frequentava muito essa biblioteca quando era criança”, contou à CNN Janice Beadle, moradora de Derby Line. Ela relata viver nesta fronteira há 72 anos e, ao pensar nas mudanças feitas na biblioteca, diz sentir apenas “muita indignação”.

Mudança drástica na fronteira Contudo, a administração exigiu a construção de uma entrada separada no lado canadense, obra concluída em junho, alterando a dinâmica de um século. Para moradores locais, como Sharon Campbell, cuja casa também é cortada ao meio pela fronteira, a medida é vista com ceticismo.

“Pensei comigo mesma: ‘que absurdo’”, disse à CNN Sharon Campbell, moradora da região. Ela compartilha uma característica peculiar com a biblioteca: a fronteira entre os EUA e o Canadá também atravessa a casa onde ela mora com o marido — uma dinâmica inevitável nesta cidade incomum.

“O que virá a seguir? Vão colocar um agente da Patrulha de Fronteira lá dentro para verificar quem é dos Estados Unidos?”, lamentou ela.

“Isso já é exagero”, acrescentou.

Nova entrada custou centenas de milhares de dólares O processo de isolamento do acesso unificado começou após visitas de autoridades de segurança fronteiriça a dirigentes da instituição. A gestão foi informada sobre o fim da calçada compartilhada, forçando os visitantes do país vizinho a darem a volta por um posto oficial.

“Não recebemos nada por escrito”, disse ela à CNN.

“Eu disse: ‘Não concordo com isso’, mas sei que não há nada que eu fazer”, comentou Boudreau sobre a reunião.

A adaptação de uma antiga saída de emergência exigiu arrecadação pública que superou a marca de trezentas mil dólares para viabilizar o projeto definitivo.

“Custou uma fortuna, mas, graças a isso, sinto-me mais segura”, disse Boudreau à CNN.

“Como estão no Canadá, eles entram a partir do Canadá e retornam para o Canadá”, acrescentou.

Segurança e justificativas oficiais Enquanto gestores lamentam o impacto na visitação de estudantes sem passaporte, autoridades alfandegárias sustentam que a mudança visa combater o contrabando de armas e a exploração de brechas por criminosos.

Em um comunicado à CNN, um porta-voz do Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA escreveu: “Traficantes de drogas e contrabandistas estavam explorando o fato de que canadenses podiam usar a entrada dos EUA sem passar pela alfândega. Estamos pondo fim a essa exploração por parte de criminosos e protegendo os americanos”.

Apesar dos desafios burocráticos e da vigilância rigorosa de agências dos dois países, a instituição continua atraindo turistas curiosos que buscam registrar o momento exato com um pé em cada nação, mantendo vivo o espírito de integração que motivou sua fundação.

“Deu um trabalhão” e “custou uma fortuna”, disse ela à CNN. Mas ela está feliz.

“Foi uma grande conquista”, afirmou.