Ferreiro catarinense cria máquina agrícola que chega a 25 países
Antes da proliferação de máquinas industriais e da solda elétrica, o interior do Planalto Norte catarinense dependia inteiramente do domínio do fogo e da destreza mecânica de artífices como Rick Jakubiak. Iniciando sua jornada aos 14 anos em uma oficina artesanal em Itaiópolis, ele acumulou mais de sete décadas de dedicação ao ofício, construindo um legado que ultrapassou as fronteiras nacionais.
Da labuta rural à escassez de materiais
Inicialmente, o trabalho consistia na fabricação pesada de enxadas, arados e carroças para atender aos agricultores da região. Com o passar dos anos, pai e filho viveram transformações profundas na profissão. Durante períodos de escassez de aço no mercado nacional, como na época da construção de Brasília, a criatividade precisou superar a falta de insumos.
A dupla passou a reaproveitar trilhos de trem e empregar técnicas tradicionais de caldeamento — unindo peças de ferro no fogo com o auxílio de areia — para consertar pontes de eixos de caminhões e ferramentas robustas.
A invenção que conquistou o mundo
Todo o conhecimento acumulado na oficina deu origem a um equipamento próprio para o plantio direto na agricultura. A máquina projetada pela família apresentou tanta eficiência que acabou sendo exportada para 25 países diferentes.
“Teve época em que a ferraria chegou a ter 10 funcionários em tempo integral. O que o agricultor precisava, a gente criava e resolvia no fogo”, relembra Rick.
Resgate da cutelaria e preservação da memória
Embora as atividades industriais tenham sido encerradas, a paixão pelo metal permaneceu intacta. Marcos Luiz Jakubiak, que aprendeu o ofício na juventude ao lado do pai, decidiu retomar as origens para investir na cutelaria artesanal, produzindo facas, cutelos e ferramentas sob medida.
Além de manter viva uma profissão em extinção, o trabalho conjunto serve como preservação histórica. Marcos documenta minuciosamente os métodos antigos, garantindo a sobrevivência de técnicas manuais que equipamentos modernos não conseguem replicar.
Essa trajetória marcante foi recentemente eternizada pelo projeto Memórias de Itaiópolis, iniciativa da prefeitura em comemoração aos 108 anos da cidade. Entre os relatos locais, a história de dedicação e sabedoria prática do ferreiro destaca-se como um símbolo de resistência. “Tenho orgulho de ser itaiopolense e participar dessa história”, resume seu Rick.



