Pequenas indústrias brasileiras registram pior situação financeira em cinco anos
As condições financeiras das empresas industriais de pequeno porte atingiram o nível mais baixo dos últimos cinco anos, de acordo com o Panorama da Pequena Indústria (PPI), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Queda na pontuação e histórico
No terceiro trimestre de 2026, o indicador que mede a saúde financeira desses negócios registrou uma retração de 0,9 ponto na comparação com o trimestre anterior, fechando o período em 38,5 pontos. A escala varia de zero a cem pontos e avalia a percepção dos empreendedores sobre margem de lucro, acesso a empréstimos e estabilidade financeira.
Em relação ao mesmo período de 2025, o recuo foi de 2,5 pontos, ficando 0,3 ponto abaixo da média histórica.
Impacto do crédito e juros
As dificuldades para obter financiamento continuam sendo um dos principais gargalos para o funcionamento adequado do setor produtivo de menor porte.
“O ambiente de crédito ainda é muito restritivo, principalmente por causa da elevada taxa de juros. As pequenas indústrias sofrem ainda mais para conseguir crédito e, mesmo quando acessam, não conseguem o valor que necessitam”, afirma em nota a analista de Políticas e Indústria da CNI, Julia Dias.
Desempenho e carga tributária
O indicador de desempenho operacional também apresentou baixa de 0,9 ponto frente ao trimestre prévio, alcançando 44,3 pontos — valor que fica ligeiramente acima da média histórica, mas representa uma queda de 2 pontos em relação a 2025. Esse cálculo engloba o volume fabricado, o uso da capacidade instalada e a variação no quadro de pessoal.
Entre os principais obstáculos relatados pelos empresários da transformação e da construção civil está o peso dos impostos. No setor de transformação, as reclamações subiram de 37,3% para 41%, enquanto na construção o percentual passou de 42,9% para 43,6%.
Perspectivas e confiança
Apesar de uma leve melhora na confiança dos empresários em outubro, que subiu de 44,4 para 46,8 pontos, o setor completa 23 meses consecutivos no campo do pessimismo, mantendo-se abaixo da linha divisória de 50 pontos desde novembro de 2024. O índice de perspectivas para o período fechou o terceiro trimestre em 46,6 pontos.



