Brasil perde 45% de vegetação e fragmenta florestas em 38 anos
O território brasileiro sofreu uma intensa transformação em sua cobertura vegetal nas últimas quase quatro décadas, marcada pela redução expressiva e pelo retalhamento de suas matas e florestas.
Evolução da fragmentação florestal no país
Dados revelados pelo MapBiomas apontam que, no ano de 1986, o país contava com 2,35 milhões de recortes de vegetação nativa, ostentando uma superfície média de 287 hectares. O cenário mudou drasticamente até 2024, quando o montante saltou para 3,41 milhões de pedaços, com extensão média reduzida para 163 hectares.
Essa dinâmica demonstra que a quantidade de porções isoladas cresceu 45%, ao passo que a área média diminuiu 43%, evidenciando um processo de contínuo retalhamento provocado pela expansão de pastagens, lavouras e zonas urbanas.
Distribuição geográfica e biomas mais afetados
A concentração dessas áreas divididas ocorre majoritariamente em cinco unidades federativas: Minas Gerais, Bahia, Goiás, São Paulo e Paraná abrigam metade de todo o total nacional. Em contrapartida, a região Norte ainda preserva as extensões mais contínuas de matas preservadas.
No recorte por biomas, a Mata Atlântica e o Cerrado encabeçam a lista com a maior quantidade de divisões. O primeiro soma 1,38 milhão de recortes, enquanto o segundo contabiliza 957 mil porções.
Importância dos dados para a restauração ecológica
As informações inéditas disponibilizadas e atualizadas sobre a fragmentação da vegetação nativa no Brasil são estratégicas para entender a dimensão do problema, evitar seu agravamento e inclusive orientar ações de restauração na busca de maior conectividade ecológica, por sinal um dos temas que estão sendo tratados desde o dia 19 de outubro na reunião da COP 17, da Convenção sobre Diversidade Biológica, em Yereván, capital da Armênia.
Outro ponto de atenção envolve as chamadas áreas de borda, que englobam entre 37 milhões e 102 milhões de hectares. Esses espaços de contato direto com regiões modificadas representam de 7% a 18% da cobertura vegetal remanescente e sofrem maior exposição a pressões externas e danos ambientais.
O fracionamento contínuo gera uma grave crise ecológica, comprometendo a sobrevivência da fauna e da flora locais devido ao isolamento das populações silvestres e à quebra dos corredores naturais de circulação.



