10/10/2026

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As maiores polêmicas e os absurdos históricos do Nobel da Paz

A trajetória do Prêmio Nobel da Paz é marcada por escolhas controversas, figuras políticas que desencadearam conflitos armados logo após a premiação e grandes nomes da história que jamais receberam a honraria.

A origem da fortuna e o testamento de Alfred Nobel Em abril de 1888, a morte de Ludvig Nobel gerou uma confusão histórica em um jornal francês, que publicou por engano o obituário de seu irmão, Alfred Nobel. O texto o chamava de comerciante da morte por enriquecer com a venda de explosivos e tecnologia militar. Abalado com a repercussão de sua imagem associada à destruição em massa, Alfred Nobel redigiu seu testamento em 1895, destinando a maior parte de sua fortuna para a criação de prêmios nas áreas de ciência, literatura e paz.

As regras vagas deixadas pelo inventor da dinamite estabeleciam que a honraria deveria contemplar a pessoa que realizasse o melhor trabalho pela fraternidade entre as nações e pela redução de exércitos. No entanto, a ambiguidade das diretrizes abriu margem para decisões questionáveis ao longo de 125 anos.

Casos marcantes de laureados controversos Henry Kissinger recebeu a comenda em 1973 pelos Acordos de Paz de Paris, mesmo tendo ordenado o bombardeio secreto do Camboja. O caso gerou protestos e fez com que o comediante Tom Lehrer declarasse: “A sátira política tornou-se obsoleta quando Henry Kissinger ganhou o Nobel da Paz”.

Anos mais tarde, em 1994, Yasser Arafat, Yitzhak Rabin e Shimon Peres dividiram o prêmio pelos Acordos de Oslo, gerando forte rejeição devido ao histórico terrorista atribuído a Arafat. Em 2009, Barack Obama foi laureado com apenas 12 dias de mandato presidencial, sendo premiado por promessas e intenções diplomáticas antes de expandir programas de ataques com drones. Já Abiy Ahmed, primeiro-ministro da Etiópia, ganhou em 2019 pelo acordo com a Eritreia, mas lançou uma guerra civil na região de Tigray no ano seguinte.

O caso de Mahatma Gandhi e o legado do prêmio O maior erro histórico do comitê, no entanto, envolve alguém que nunca venceu. Mahatma Gandhi foi indicado em cinco ocasiões diferentes — 1937, 1938, 1939, 1947 e 1948 —, mas foi rejeitado sob justificativas como ter ideias consideradas “demasiado indianas” e, posteriormente, devido ao seu assassinato antes da premiação póstuma.

O comitê norueguês não possui mecanismos jurídicos para revogar honrarias já concedidas, o que eterniza na lista nomes cujas trajetórias posteriores contradisseram o espírito da comenda. Enquanto a paz é um processo contínuo, as escolhas do Nobel frequentemente premiam momentos efêmeros e assinaturas políticas passageiras.