Lula ganha celular após provocação de adversário sobre sigilos
O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta quarta-feira (21) que recebeu um telefone celular de presente do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT). A declaração veio após o adversário político, Flávio Bolsonaro (PL), ironizar que o petista “não tem celular” em resposta a um desafio de transparência feito durante a campanha eleitoral.
Entrada no canal de mensagens
Durante um evento político realizado em Belo Horizonte, o chefe do Executivo comentou com os apoiadores presentes sobre o novo equipamento e anunciou que passará a integrar o grupo de transmissão no aplicativo de mensagens ligado à sua campanha.
“Queira dar recado para o general [André] Janones. Qual é a novidade, Janones? Eu nunca tive um celular, agora ganhei um celular do governador do Piauí. A partir de amanhã, vou ter um celular e vou fazer parte do ‘Exército do Lula’, e quero convidar todos vocês para entrar no nosso exército para a gente chegar a 10 milhões até sexta”, disse Lula aos apoiadores mineiros.
Nas redes sociais, o candidato publicou imagens ao lado de Fonteles e do deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), classificando o aparelho como uma ferramenta central para a mobilização digital. “Está aqui a arma da nossa guerra”, diz Lula na gravação.
A origem da polêmica
O embate sobre os dispositivos móveis começou após um debate televisivo no último domingo (18), quando o atual mandatário desafiou o oposicionista a abrirem conjuntamente os dados bancários e telefônicos para fiscalização pública.
Ao final daquele encontro, Flávio reagiu ao desafio com ironia, pontuando que achou a proposta “engraçada” justamente pela suposta ausência de um telefone pessoal do rival.
“Eu fiquei feliz com o desempenho, pude falar de propostas e, finalmente, pude rebater várias mentiras aqui. Inclusive, uma foi engraçada: ele propõe a quebra de sigilo telefônico quando ele não tem celular. Minhas contas estão sempre abertas, tudo o que é meu está declarado à Receita”, pontuou.
Condições impostas pelo PL
Na terça-feira (20), a defesa do presidente protocolou documentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF) autorizando a abertura de dados fiscais, bancários e telefônicos próprios e de familiares, desde que o oponente fizesse o mesmo.
Em comício realizado em Guarulhos nesta quarta-feira, Flávio declarou aceitar a proposta, mas estipulou exigências adicionais, incluindo a abertura de informações ligadas a terceiros e a gastos governamentais.
“Agora segura aí marginal. Você não tem celular. Sabe quem recebe as ligações por você? O Marcola. O Lula tem o Marcola do lado dele. É esse Marcola que abria as portas pro Lulinha, o filho dele, fazer negócios em todos os ministérios. Então eu abro meu sigilo do telefone sim, mas o Marcola tem que abrir o dele, concorda?”, disse Flávio durante agenda em Guarulhos, região Metropolitana de São Paulo.
“Pra eu abrir meu sigilo, você [Lula] vai abrir o sigilo do Instituto Lula. E tem mais uma condição: você vai abrir o sigilo do seu cartão corporativo e da Janja”, afirmou.
Resposta da campanha petista
A articulação da campanha governista reagiu rapidamente às demandas apresentadas pelo parlamentar aliado do PL. O senador Camilo Santana (PT-CE) informou que a equipe jurídica do presidente atenderá a todas as condicionantes exigidas.
Representantes da coligação devem retornar ao TSE para formalizar a aceitação integral das demandas impostas pelo adversário político na disputa presidencial.
“De todas as condicionantes que ele colocou o presidente só tem a dizer que não se opõe absolutamente nada. Contanto que ele [Flávio] também cumpra e abra tudo que está sendo pedido”, afirmou.



