Fim da escala 6×1: comércio adota jornada 5×2 antes do Natal
Marcada para entrar em vigor no dia 15 de dezembro, a transição para a jornada 5×2 colocará o varejo sob forte pressão operacional a apenas dez dias do Natal. A proximidade da data mais lucrativa do calendário comercial acelerou as negociações entre entidades sindicais e empresas, que correm contra o tempo para atualizar os acordos coletivos conforme as diretrizes da Emenda Constitucional 141, que prevê a perda de validade das regras antigas de jornada em até 60 dias.
O que muda na carga horária e nas folgas
A substituição do modelo 6×1 ocorrerá de forma gradual. O primeiro corte reduzirá o expediente de 44 para 42 horas semanais dois meses após a promulgação da lei, alcançando o limite de 40 horas semanais ao final de um período de 12 meses, previsto para dezembro de 2027.
No centro dos debates trabalhistas estão os dias de descanso. Entidades como o Sindicato dos Comerciários de São Paulo, que responde por cerca de 500 mil trabalhadores, pleiteiam duas folgas por semana para toda a categoria e a concessão de no mínimo três domingos livres no mês — hoje, a legislação assegura dois. Para equilibrar os interesses de vendedores que dependem de comissões mais altas, propõe-se um sistema de rodízio em setores específicos, viabilizando a atuação em ao menos um domingo mensal.
Estratégias dos lojistas para conter despesas
Do lado patronal, a principal preocupação reside no encarecimento da folha de pagamento durante o período de maior fluxo de clientes. Para evitar a interrupção do atendimento e absorver os custos sem rebaixar os salários, as empresas avaliam caminhos práticos:
- Contratação de funcionários extras e temporários;
- Revezamento intensificado de turnos;
- Encurtamento do horário diário de funcionamento das lojas;
- Investimento acelerado em automação para funções operacionais.
Desafios para pequenas lojas e riscos ao consumo
O ajuste promete ser mais severo para micro e pequenos comerciantes, cuja estrutura reduzida limita a capacidade de investimento tecnológico ou a ampliação do quadro. Há ainda o receio de que horários mais restritos nas lojas físicas incentivem a migração dos consumidores para o comércio eletrônico.
Além disso, o repasse de custos operacionais para as mercadorias encontra barreiras econômicas e regulatórias — redes de drogarias, por exemplo, operam sob controle estrito do teto de preços de remédios. O alerta no setor é amplificado pelo desempenho de agosto, cujas vendas ficaram aquém das projeções iniciais.
Supermercados saem na frente nas adaptações
O segmento supermercadista desponta como o mais adiantado para oficializar a escala 5×2. Grandes redes varejistas já utilizam esquemas semelhantes de trabalho e haviam firmado acordos recentemente, embora ainda operassem na carga horária antiga.
Com a expectativa de que dezembro supere a média de faturamento anual, a resolução dos acordos coletivos será determinante para garantir que o setor atenda à demanda natalina sem comprometer a viabilidade financeira dos estabelecimentos.



