30/10/2026

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Estratégia de Trump com Flávio Bolsonaro e Lula intriga diplomacia

A participação de Jason Miller, assessor de Donald Trump, na organização logística para a viagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos gerou debates intensos sobre os reflexos dessa ação na diplomacia bilateral. O envolvimento expõe uma abordagem ambígua do governo norte-americano, que simultaneamente atende a demandas ideológicas e tenta preservar canais formais com Brasília.

Estratégia geopolítica e a influência chinesa Segundo análises especializadas, o principal interesse da administração de Donald Trump em manter o diálogo com o Brasil é conter a expansão da influência da China na América do Sul.

“Ele ainda acredita que há um caminho para fazer isso em coordenação com Lula, que ele recebeu na Casa Branca em maio, sete dias antes de visitar Xi Jinping, exatamente para demonstrar que é capaz de atrair o Brasil de volta para a órbita americana”, explicou Lourival Sant’Anna, analista internacional.

Histórico de proximidade e lobby privado A ligação entre Jason Miller e o clã Bolsonaro é antiga e estreita. Em setembro de 2021, durante sua passagem pelo Brasil para um evento conservador, Miller chegou a ser retido para depoimento pela Polícia Federal ao deixar o país, ocasião em que recorreu ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro para obter assistência jurídica.

Atuando desde o meio do ano como estrategista de comunicação na Casa Branca em uma função de apoio pessoal e não em posto institucional, Miller possui trânsito limitado no Departamento de Estado. Suas atividades recentes incluem atuações no setor de lobby privado, como um contrato milionário com o governo indiano voltado ao fortalecimento de laços comerciais.

Dimensão ideológica e o futuro das relações Para os especialistas, o suporte dado por Miller na locomoção do parlamentar brasileiro evidencia que Donald Trump optou por gerenciar o caso em uma esfera estritamente pessoal e ideológica, evitando o envolvimento de órgãos oficiais como o Departamento de Estado, o que conferiria outro peso ao episódio.

As relações bilaterais seguem marcadas por atritos reputacionais, impulsionados por questionamentos do líder norte-americano ao sistema eleitoral brasileiro como narrativa para contestar derrotas da direita. Contudo, analistas apontam que a manutenção dos laços depende agora da capacidade do governo brasileiro de gerir esse cenário de atritos e pragmatismo.

“Tudo vai depender de Lula agora, se ele consegue digerir essa relação em que a sua eleição é contestada por Trump”, concluiu Sant’Anna.