17/10/2026

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Fundos de previdência entram no radar da PF após mensagens de ex-banqueiro

A administração de recursos voltados para a aposentadoria de servidores públicos passou a ocupar o foco central das apurações que envolvem o Banco Master. A reviravolta ocorreu após a localização de mensagens eletrônicas no aparelho telefônico do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, trazendo à tona os bastidores de negociações para a captação de dinheiro junto a fundos previdenciários estaduais.

Articulações políticas e repasses financeiros Os diálogos recuperados pelos investigadores expõem conversas sobre viagens, tratativas de grandes somas financeiras e a participação de nomes ligados à alta cúpula do União Brasil. Com base nesse material, a Polícia Federal chegou a solicitar autorização para cumprir mandados de busca e apreensão contra Antônio Rueda, presidente da legenda, e ACM Neto, vice-presidente da sigla, mas o pedido acabou rejeitado pelo Supremo Tribunal Federal.

As apurações apontam que o Banco Master efetuou transferências de R$ 6,4 milhões para escritórios de advocacia associados a Rueda, além de repassar R$ 5,4 milhões a uma empresa de consultoria vinculada a ACM Neto. Em sua proposta de delação premiada, que acabou rejeitada tanto pela Polícia Federal quanto pela Procuradoria-Geral da República, Vorcaro alegou que os dois políticos teriam intercedido a favor da instituição financeira em troca de uma porcentagem sobre os montantes aplicados pelos fundos estaduais.

Operações no Amapá, Rio de Janeiro e Amazonas O estado do Amapá registrou um dos episódios mais detalhados nas conversas telefônicas. Em meados de 2024, executivos do banco discutiam a captação de centenas de milhões de reais com a Amapá Previdência. Enquanto tratavam da aprovação de um aporte de R$ 200 milhões, o tesoureiro Alberto Felix relatou que Rueda teria prometido intervir para garantir o andamento das operações. Em outro trecho dos diálogos, o dirigente partidário pediu a exclusão dos registros da conversa.

No mesmo período, as tratativas também alcançaram o Rioprevidência, que chegou a injetar aproximadamente R$ 2 bilhões na instituição financeira, conforme apontamentos da Polícia Federal. O ex-comandante do órgão estadual acabou detido pelas autoridades. De maneira similar, o instituto de previdência do Amazonas, a Amazonprev, foi mencionado em negociações para a aplicação de R$ 50 milhões, evidenciando o alcance nacional das articulações financeiras investigadas pela Operação Compliance Zero.

Defesa dos citados Diante da repercussão das denúncias, os investigados se manifestaram publicamente para rebater as acusações apontadas nos relatórios e nas propostas de colaboração.

Antônio Rueda afirma que sua relação com o Banco Master foi profissional e que os serviços jurídicos foram prestados com emissão de notas fiscais e recolhimento de impostos.

O presidente do União Brasil também criticou a divulgação de trechos de conversas que, segundo ele, deveriam estar sob sigilo e teriam sido retirados de contexto para criar suspeitas e prejudicar sua reputação. Ele declarou que adotará medidas para proteger sua honra e sua imagem.

ACM Neto, por sua vez, negou ter participado de decisões do governo federal relacionadas à inclusão do Banco Master na lista de instituições autorizadas a receber recursos de regimes próprios de previdência social.

O ex-prefeito de Salvador também afirmou que nunca atuou para que institutos previdenciários aplicassem recursos no banco, inclusive a Amapá Previdência. Disse que não conhece Fabiano Zettel e contestou as tentativas de associá-lo a conversas das quais afirma não ter participado.

Sobre os pagamentos recebidos do Master, ACM Neto declarou que os valores decorreram de serviços de consultoria efetivamente prestados, por meio de um contrato mensal iniciado em janeiro de 2023, com emissão de notas fiscais e recolhimento de impostos. Ele também afirmou que está à disposição das autoridades desde março de 2026 para prestar os esclarecimentos necessários.