17/10/2026

1000x250
previous arrow
next arrow

Lula diz não saber de congelamento do Bolsa Família e rebate críticas sobre reajuste

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou durante entrevista que desconhecia o fato de o Bolsa Família estar há três anos sem qualquer correção monetária. O chefe do Executivo declarou que ordenou a atualização do benefício assim que tomou conhecimento do cenário e reagiu aos questionamentos sobre a proximidade do anúncio com o período eleitoral.

Detalhes do reajuste e novos valores

O Decreto nº 13.120 estabeleceu a correção de 15,04%, baseada na variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026. Com a medida, o piso garantido subiu de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio passou de R$ 675 para R$ 777.

Os repasses com as quantias atualizadas começaram a ser liberados antes do segundo turno das eleições. Outras faixas também mudaram, como o Benefício Primeira Infância, que foi para R$ 173 por criança, e a Renda de Cidadania, que alcançou R$ 164 por integrante.

Justificativa e polêmica no Orçamento

Questionado sobre a ausência da medida na proposta orçamentária enviada ao Congresso Nacional em agosto, Lula negou que a equipe econômica tenha identificado uma nova margem fiscal apenas de última hora. O presidente sustentou que havia espaço nas contas públicas e classificou a ausência de previsão como um equívoco.

“Eu não sabia disso”, afirmou Lula ao comentar a ausência de previsão para o aumento. O presidente disse que questionou os ministros quando soube que o benefício não seria reajustado e classificou a situação como “inexplicável”.

“Eu tomei a decisão: a gente vai dar o reajuste, para a gente aprender e nunca mais repetir isso”, declarou.

O mandatário também pontuou um questionamento feito à equipe: “Se há espaço fiscal, por que não aumentaram?”. Ele ainda defendeu os índices fiscais da gestão atual, ressaltando o superávit primário e comparando o cenário com o déficit encontrado ao iniciar o mandato.

Impacto jurídico e financeiro

O acréscimo no programa gerou repercussão na Justiça Eleitoral. Representações foram apresentadas por opositores para tentar suspender os efeitos do decreto sob a alegação de interferência no pleito, mas os pedidos foram barrados ou enfrentaram barreiras processuais.

A Advocacia-Geral da União defendeu a legalidade da medida, argumentando que o ato consistiu apenas na recomposição de perdas inflacionárias. O impacto financeiro calculado é de R$ 5,8 bilhões para 2026 e de cerca de R$ 22,7 bilhões anuais a partir do exercício seguinte.