17/10/2026

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Dia do Professor nasceu em SC antes de virar feriado nacional

Comemorado anualmente em 15 de outubro em todo o território nacional, o Dia do Professor teve sua origem legislativa em Santa Catarina muito antes de ser adotado pela União. Enquanto o governo federal oficializou a data apenas em 1963, o estado já celebrava os docentes de forma oficial desde a década de 1940, fruto do projeto de Antonieta de Barros.

Antecedência histórica em relação à lei federal

A consagração nacional do feriado escolar ocorreu por meio do Decreto Federal nº 52.682, assinado pelo presidente João Goulart. No entanto, 15 anos antes desse ato, a homenagem entrou no calendário catarinense com a Lei Estadual nº 145, promulgada em 12 de outubro de 1948. A iniciativa estadual serviu como referência direta para que o restante do país adotasse a mesma celebração.

A escolha do dia 15 de outubro faz alusão a um decreto imperial de 1827, assinado por Dom Pedro I, que regulamentou as primeiras diretrizes do ensino elementar no Brasil.

O pioneirismo de Antonieta de Barros

Primeira mulher negra a assumir um mandato parlamentar no Brasil, Antonieta construiu uma história voltada à valorização da cidadania e da aprendizagem. Nascida em Florianópolis em 1901, começou cedo a atuar na área: aos 21 anos, criou um curso de alfabetização direcionado a indivíduos sem recursos financeiros, iniciativa mantida sob sua direção por três décadas.

Além de lecionar Língua Portuguesa e Literatura, consolidou presença marcante na comunicação, publicando mais de mil artigos na imprensa e fundando a revista Vida Ilhoa. Em 1935, foi eleita deputada estadual em Santa Catarina, período em que liderou a proposição do feriado para a categoria.

Atuação comunitária e visão pedagógica

Em 1937, a educadora lançou o livro “Farrapos de Ideias”, doando os valores obtidos com as vendas da edição original para a edificação de uma escola destinada aos filhos de pessoas atendidas na Colônia Santa Teresa. Sua prática educativa priorizava o desenvolvimento e a independência dos estudantes.

“Educar é ensinar os outros a viver; é iluminar caminhos alheios; é amparar debilitados, transformando-os em fortes; é mostrar as veredas, apontar as escaladas, possibilitando avançar, sem muletas e sem tropeços”, dizia.

Inscrita no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, Antonieta de Barros permanece como uma figura central na luta pelos direitos educacionais e sociais no Brasil, deixando um legado pedagógico permanente no calendário escolar.