16/10/2026

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Indústria prevê rombo de R$ 267 bilhões e alta da inflação com fim da escala 6×1

A aprovação da PEC 221/2019 pelo Senado Federal, que extingue a tradicional escala de trabalho 6×1 e diminui a jornada semanal de 44 para 40 horas, provocou forte oposição do setor produtivo nacional. Em nota oficial emitida nesta quarta-feira (14), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou a decisão com grande preocupação e alertou sobre riscos iminentes de corte de postos de trabalho, encolhimento econômico e disparada nos preços em todo o país.

Prejuízos competitivos e reorganização operacional

Para a entidade representativa do setor, a alteração aprovada no Legislativo caminha na contramão das necessidades urgentes da economia nacional, que já sofre com obstáculos históricos como a baixa produtividade e a desvantagem no cenário internacional. A CNI ressalta que a transição exigirá uma reestruturação profunda nos métodos de fabricação e ajustes drásticos nas escalas das companhias, as quais já conviven com taxas de juros elevadas e uma carga tributária pesada.

Custos industriais e retração do PIB

Um estudo divulgado pela confederação indica que a diminuição da jornada para 40 horas, mantendo os salários atuais, provocará uma alta de até R$ 267,2 bilhões nos gastos operacionais da indústria brasileira. No aspecto macroeconômico, a projeção aponta para uma contração de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB) do país, o que traduz-se em uma perda de R$ 76,9 bilhões.

Impacto direto no bolso do consumidor

O repasse dessas despesas extras para a população é visto como inevitável pela entidade setorial. A expectativa é de que o custo de vida sofra um acréscimo médio de 6,2%, atingindo diretamente o cotidiano das famílias brasileiras em diferentes setores:

  • Supermercados: alta estimada de 5,7% nas compras básicas;
  • Produtos industrializados: alta média de 6%;
  • Vestuário e calçados: elevação de preços que pode chegar a 6,6%.

Posicionamento do setor produtivo

O presidente da CNI, Ricardo Alban, criticou o momento da aprovação e a falta de diálogo aprofundado.

“Lamentamos que a votação tenha sido feita sem mais debates com a sociedade brasileira e entendemos que os impactos dessa medida não foram devidamente mensurados”, afirmou.

O dirigente sinalizou que o setor buscará reverter ou flexibilizar o texto, apostando que as consequências econômicas forçarão os parlamentares a recuar.

“Após a constatação, por exemplo, da perda de competitividade e da alta inflacionária, acreditamos que o Congresso Nacional possa abrir espaço para revisitar o tema visando encontrar a melhor solução para a economia brasileira”, concluiu.

Enquanto o setor produtivo contabiliza os prejuízos e projeta cenários desfavoráveis, centrais sindicais e movimentos sociais celebram a nova regra como uma conquista histórica voltada para a preservação da saúde mental e do bem-estar dos trabalhadores brasileiros.