16/10/2026

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EUA enviam 600 soldados à América Latina para operações contra o tráfico

O governo dos Estados Unidos determinou o envio de aproximadamente 600 soldados do Exército para a América Latina. A movimentação faz parte da estratégia do Pentágono para intensificar o combate ao narcotráfico e treinar forças locais em três países da região.

Treinamento na selva e foco em cartéis Os primeiros efetivos pertencem à 10ª Divisão de Montanha, com base em Nova York, e já começaram a se deslocar rumo a uma nova instalação no Panamá. Na sequência, as tropas seguirão para Colômbia e Honduras, onde participarão de exercícios conjuntos e darão suporte a operações especiais voltadas à repressão de cartéis.

Além do envio terrestre, o planejamento do Pentágono envolve o deslocamento de drones MQ-9 Reaper da África para a Colômbia e o Equador, além da criação de um novo comando de operações no Hemisfério Ocidental, sediado em Miami. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, também instituiu um escritório específico para supervisionar as ações contra o crime organizado.

Preocupações com escalada militar Especialistas e entidades de direitos humanos manifestaram apreensão diante da presença militar estrangeira, alertando para possíveis riscos à soberania dos países latino-americanos e à segurança de civis.

Adam Isacson, diretor de Supervisão da Defesa no Escritório em Washington para a América Latina, afirmou que não se lembra de outro envio de tropas dos EUA para a região em escala semelhante, “exceto em contingências como invasões ou desastres naturais”.

Estratégia regional e pressão sobre aliados A administração de Donald Trump busca pressionar governos sul-americanos e centro-americanos a adotarem posturas mais duras contra o crime organizado, formando uma coalizão regional com 19 parceiros. Em memorando oficial, Hegseth destacou que a aliança vai “evoluir com eficiência e velocidade implacáveis para destruir narcoterroristas”.

Por sua vez, o Departamento de Defesa pontuou em nota que mantém o compromisso com uma “abordagem de trabalhar com aliados e parceiros capazes para aprofundar a colaboração e manter pressão persistente contra redes de ameaças no hemisfério”.

Disputa geopolítica e recursos Para o general Joseph A. Ryan, comandante das operações do Exército norte-americano no Hemisfério Ocidental, o retorno do foco militar na área também reflete a concorrência global por influência e o avanço de organizações criminosas.

“Nós cedemos a dominância econômica na região para um adversário, e isso é um fato”, declarou Ryan durante uma conferência da Association of the U.S. Army, em Washington.

A ampliação dessas frentes na América Latina acontece em um cenário de forte demanda sobre os recursos estratégicos norte-americanos, impactados por conflitos no Oriente Médio que reduziram estoques essenciais de munições do país.