Estratégias de Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno eleitoral
Após uma primeira etapa de campanha intensa, o chamado “Exército de Lula” ganhou tração, culminando em atos expressivos na Avenida Paulista e em Copacabana. A mobilização petista, que reuniu milhares de pessoas, busca reverter a desvantagem de 2,2 milhões de votos em relação a Flávio Bolsonaro. O grande desafio da chapa é convencer parte dos 33 milhões de eleitores que se abstiveram no primeiro turno a comparecer às urnas, em um cenário onde a proporção de votos válidos sofreu queda mesmo com o aumento do eleitorado.
A disputa pelo eleitorado de centro A campanha petista sabe que a migração de votos dos candidatos da “terceira via” é um terreno difícil. Nomes como Romeu Zema e Ronaldo Caiado, que somaram forças com o PL, representam o alinhamento ideológico conservador e o apoio do agronegócio. Por outro lado, há uma pequena janela de oportunidade entre os eleitores de Augusto Cury e Renan Santos. No entanto, o próprio Renan manteve postura crítica a ambos os lados: “Vocês sabem minha opinião sobre os dois candidatos, não me empurrem e não pensem que vão humilhar a mim e ao meu grupo ou nos forçar a nada”.
O desafio com a classe média e cidades pequenas Um dos maiores entraves para a esquerda é a comunicação com a classe média baixa, o chamado “CEO de MEI”. Dados indicam que, enquanto Lula mantém força na classe E, Flávio Bolsonaro consolidou vantagem expressiva em cidades pequenas e médias. O jornalista Pedro Doria analisou a falha de interlocução: “A esquerda brasileira passou quatro anos achando que tem problema com a elite. Não tem. A elite votou nela.” Essa mudança de comportamento eleitoral foi notada especialmente no interior, onde a direita avançou sobre redutos anteriormente alinhados ao petismo.
Tensões na estratégia de campanha Nos bastidores, estrategistas de Lula sugeriram uma postura mais conciliadora, focada na figura de Alckmin, mas a prática tem sido marcada por uma comunicação mais combativa, liderada por influenciadores digitais e figuras como a primeira-dama, Rosângela da Silva. O discurso de “Lula ou a barbárie” serve para animar a base, mas resta saber se será suficiente para atrair o eleitor indeciso ou apático.
O fator “já ganhou” e o papel dos apoios Já o campo de Flávio Bolsonaro lida com o risco do excesso de otimismo. Embora mantenha apoio de lideranças políticas, a campanha enfrenta obstáculos como a derrubada de perfis de apoiadores nas redes sociais e a necessidade de manter o engajamento do eleitorado contra o que chamam de “risco do comunismo”.
A eficácia real das influências políticas Especialistas em comportamento eleitoral ressaltam que, embora o apoio de celebridades e influenciadores ajude na visibilidade, a conversão em votos não é automática. Segundo Paula Orrico, especialista em comportamento do eleitor: “Entretanto, é importante distinguir a visibilidade de capacidade efetiva de conquistar votos.” Ela pontua ainda que: “Há uma distância entre admirar uma personalidade e seguir sua orientação na urna”. Em última análise, o resultado final dependerá de como o eleitorado reagirá ao duelo de rejeições que marca este segundo turno.



