Flávio Bolsonaro acusa TSE de complacência após liberação de canal pró-Lula
A campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) manifestou forte oposição à decisão que restabeleceu o canal “Exército de Lula” na plataforma de mensagens WhatsApp. Os representantes do político alegaram que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) demonstra complacência com a disseminação de conteúdos falsos favoráveis ao presidente Lula (PT).
Estrutura do canal e alcance
O espaço digital em questão é coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e concentra atualmente 3,3 milhões de apoiadores do atual chefe do Executivo. De acordo com os advogados da campanha de Flávio, o grupo não apenas divulgava informações inverídicas, mas também orientava os seguidores sobre como burlar os mecanismos de controle tanto da Justiça Eleitoral quanto da própria empresa de tecnologia.
Divergências na fiscalização do TSE
O grupo político também colocou em dúvida a eficácia da fiscalização do plano de conformidade estabelecido entre a Meta e o tribunal. Na visão da equipe jurídica, compete ao presidente da corte supervisionar o cumprimento do acordo firmado com as plataformas de tecnologia, enquanto o corregedor deveria se encarregar de avaliar eventuais episódios de abuso de poder político.
O magistrado responsável apontou que já analisava a solicitação enviada anteriormente e havia requisitado dados complementares antes de a defesa recorrer de forma direta a Nunes Marques, que determinou a suspensão inicial. O corregedor argumentou que a utilização de múltiplos caminhos processuais não deve viabilizar a escolha direcionada de julgadores, ao passo que os advogados sustentaram que as ações em curso abordam temáticas e finalidades distintas.
Análise técnica do tribunal
Em um relatório emitido na segunda-feira (12), a área técnica do tribunal comunicou que não localizou, nas postagens verificadas entre os dias 2 e 11 de outubro de 2026, os conteúdos denunciados pela chapa opositora. Entre os temas citados na denúncia estavam boatos sobre a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, supostos vínculos com milícias, cortes em aposentadorias e no Benefício de Prestação Continuada (BPC), além do cancelamento do reajuste do Bolsa Família.
Apesar de não encontrar tais registros no período específico, o documento chamou atenção para riscos iminentes, como o disparo de mensagens em massa próximo ao segundo turno e o emprego de retórica polarizadora propícia a atritos políticos. O relatório ponderou ainda que a remoção de publicações feitas em setembro impossibilitou a auditoria completa do material circulado anteriormente, indicando que a ausência no intervalo examinado não atesta a inexistência prévia das postagens.
Por meio de nota oficial, a equipe do candidato reforçou as críticas ao andamento do caso e exigiu rigor na aplicação das normas do pleito.
“O único objetivo da campanha é o cumprimento da lei e o combate às fake News. Que esse seja o objetivo de todos. O contexto é de claro atropelo. Mais uma vez a favor da fake News. Sempre a favor de Lula”, afirmou a campanha.



