Milhões de apostadores ainda têm dinheiro a receber de bets irregulares
Ainda existem R$ 159 milhões em saldos remanescentes que precisam ser devolvidos aos apostadores pelas empresas de apostas online, conforme os dados mais recentes repassados ao governo federal.
Contas com valores baixos e prazo de repasse
Essas informações financeiras abrangem um universo de 22,5 milhões de apostadores, cujos recursos estão distribuídos em 70,5 milhões de contas cadastradas nas plataformas. Do total de contas mapeadas, 90% possuem saldo inferior a R$ 1, enquanto 97% contam com menos de R$ 10 disponíveis para restituição aos usuários.
O montante atual de R$ 159 milhões é resultado da atualização dos cadastros feita pelas próprias companhias durante o processo obrigatório de envio de informações para o acerto de contas. No início de outubro, quando se encerrou o prazo para a retirada voluntária dos recursos, a estimativa inicial era de que o montante retido chegasse a aproximadamente R$ 1,2 bilhão.
Empresas inadimplentes e atuação da justiça
Apesar do andamento do processo, um grupo de oito empresas de apostas ainda não cumpriu os prazos estabelecidos para o envio dos dados financeiros necessários às instituições bancárias. Por causa dessa omissão, a AGU (Advocacia-Geral da União) deve ingressar com uma ação judicial para obrigar tais companhias a fornecerem as informações.
A determinação inicial previa que as empresas repassassem aos bancos, até a última quarta-feira (7), os valores de cada apostador discriminados por CPF, além da indicação da conta bancária utilizada para os depósitos originais. Esse procedimento é indispensável para que o sistema financeiro realize a devolução do dinheiro aos titulares.
Próximos passos e transferência para a Caixa
Caso ocorra algum impedimento que dificulte a devolução direta pelos canais convencionais, a partir do dia 14 de outubro os recursos pendentes serão integralmente transferidos para a Caixa Econômica Federal. A instituição pública ficará encarregada de gerenciar e efetuar o repasse final aos apostadores.
Paralelamente ao processo de ressarcimento, as autoridades federais intensificaram o cerco contra a atuação ilegal no setor. Entre o final de setembro e a primeira quinzena de outubro, mais de 16 mil sites de apostas irregulares foram identificados e encaminhados para bloqueio oficial, com o apoio de órgãos de segurança pública e de proteção digital.



