Inadimplência das famílias em santa catarina cai ao menor patamar desde 2022
O cenário financeiro das famílias catarinenses apresentou melhora significativa após quatro meses consecutivos de recuo nos índices de atraso em pagamentos, alcançando a marca mais baixa desde o ano de 2022. Os dados divulgados pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Fecomércio SC, revelam que o percentual de lares com contas vencidas caiu de 22,2% no mês de agosto para 20,6% em setembro.
Desempenho abaixo da média nacional
Além da diminuição de 1,6 ponto percentual no indicador mensal, o estado registrou um índice consideravelmente inferior à média do país, que fechou o período em 29,6%. Outro dado animador da pesquisa foi a queda na parcela de consumidores que declararam total incapacidade de quitar débitos em atraso, descendo de 8,7% para 8%.
Estabilidade no endividamento geral
Enquanto a inadimplência cede espaço, o indicador de endividamento total permaneceu praticamente inalterado, oscilando de 78,4% em agosto para 78,5% em setembro. O presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, avalia que os dados são favoráveis, mas ressalta a necessidade de cautela frente às incertezas da economia. “O contexto macroeconômico ainda é difícil, principalmente por conta dos juros altos. Além disso, o resultado eleitoral pode influenciar o cenário econômico e as decisões de consumo e investimento nos próximos meses”, disse.
Mudança no perfil das dívidas
A composição dos compromissos financeiros dos moradores também passou por transformações expressivas. Embora oito a cada dez lares catarinenses possuam algum tipo de dívida, a fatia de cidadãos que se consideram muito endividados despencou para 9,4%, quase a metade dos 19,2% contabilizados no mês de maio. Paralelamente, o grupo de consumidores com baixo endividamento saltou de 37,4% para 49,4% no mesmo intervalo.
Cartão de crédito em baixa e crédito longo em alta
O tradicional cartão de crédito continua liderando o ranking das dívidas, presente em 69,9% dos lares, mas acumulou uma retração de 19,9 pontos percentuais ao longo de 12 meses. Outras modalidades de curto prazo também encolheram, como os carnês, que recuaram de 30,7% para 21,4%, e o cheque especial, que passou de 7,0% para 2,9%.
Em sentido oposto, as linhas de crédito com prazos estendidos e prestações fixas ganharam espaço no orçamento. O financiamento de veículos subiu de 13,2% para 17,3%, enquanto o crédito consignado avançou de 6,3% para 11,4%. Para os analistas da entidade, essa migração justifica a aparente contradição entre o aumento do endividamento total e a retração na inadimplência, indicando que os consumidores buscam compromissos de longo prazo com maior previsibilidade e organização financeira.



