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Brasil

Taxa Selic é impactada por eleições e cenário fiscal, aponta analista

Boletim Focus e pressões externas também forçaram o Banco Daycoval a revisar suas projeções para a economia brasileira.

Selic: Eleição estressou a curva de juros, diz economista do Daycoval

O ambiente político das eleições recentes gerou uma pressão expressiva sobre a curva de juros e transformou as perspectivas econômicas traçadas pelo Banco Daycoval. A avaliação foi feita pelo economista da instituição, Julio Cesar Barros, durante a divulgação da decisão do Copom sobre a taxa básica de juros.

Antes da reviravolta no cenário, a expectativa inicial do banco era de que o ciclo de cortes continuasse.

Segundo Barros, antes do início da semana, o banco ainda trabalhava com a expectativa de continuidade do ciclo de cortes de juros.

“Mesmo com o câmbio tendo ido a 5,40, quando a gente analisa esse câmbio na perspectiva do que entra no modelo do Banco Central, que considera a média dos últimos dias, as projeções de inflação fariam o Banco Central se distanciar um pouco da meta”, explicou.

O especialista pontuou que o enfraquecimento da atividade econômica e os dados fracos do mercado de trabalho indicavam espaço para novos cortes. No entanto, a deterioração das projeções de inflação no Boletim Focus para os anos de 2028 e 2029 forçou uma mudança de postura na instituição financeira.

“Nós alteramos a nossa expectativa e agora adotamos o cenário de pausa para a taxa Selic na reunião de hoje”, afirmou Barros.

Riscos fiscais e externos no radar

A permanência da atual gestão no poder, somada à falta de definições concretas sobre o ajuste fiscal, intensificou a tensão na curva de juros e encareceu o dólar, o que acabou repercutindo nas projeções de alta inflacionária.

“Me parece que a interpretação do mercado vai na direção de que é preciso ter algum ajuste fiscal, e na medida em que você não tem uma alteração no governo e as políticas recentes vão na direção de estímulos fiscais, há uma preocupação em relação a isso”, disse Barros.

Outros elementos externos também entram na conta dos riscos inflacionários. As tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos e o Irã mantêm os contratos de petróleo elevados, enquanto os impactos climáticos do El Niño e do subsequente La Niña ameaçam encarecer o setor de alimentos a curto e médio prazo.

Com esse panorama complexo, a projeção do banco é de cautela por parte da autoridade monetária, que deve interromper os cortes momentaneamente e avaliar retomadas futuras caso o cenário fiscal apresente avanços.

“Com isso, poder ter taxa de juros um pouco mais baixa no próximo ano”, concluiu Barros.