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Brasil

Copom pausa cortes e mantém taxa Selic em 13,75% ao ano

Economistas avaliam que a deterioração do cenário macroeconômico e o quadro fiscal pressionaram a decisão da autoridade monetária.

Observamos piora do cenário macroeconômico, diz ex-presidente do BC

O Banco Central optou por interromper a sequência de cortes iniciada em março de 2026 e manteve a taxa básica de juros em 13,75% ao ano. A medida do Comitê de Política Monetária foi considerada prudente por especialistas, que apontam um ambiente econômico mais desafiador.

Avaliação sobre o cenário macroeconômico

Para o ex-presidente da instituição financeira Gustavo Loyola, a postura adotada pelo colegiado foi correta e cautelosa. Segundo o economista, o principal fator que motivou a pausa na redução da taxa foi a desqualificação do ambiente econômico geral.

“O que houve foi basicamente uma piora das expectativas, uma piora do cenário macroeconômico, principalmente do câmbio, e uma piora das expectativas inflacionárias, já refletida, inclusive, na pesquisa FOCUS”, afirmou Loyola, pontuando que o mercado financeiro já antecipava o movimento.

O perigo da desancoragem inflacionária

O especialista também enfatizou que a autarquia monetária não poderia correr o risco de permitir uma desancoragem ainda maior das projeções de inflação. O momento atual exige firmeza, sobretudo diante das dúvidas persistentes sobre a direção da política fiscal brasileira.

“Uma fraqueza, ou aquilo que fosse percebido como uma fraqueza do Banco Central, poderia desancorar as expectativas, o que seria muito ruim do ponto de vista da política monetária daqui para frente”, explicou. Ele acrescentou que o contexto é complexo demais para que o órgão sinalize o fim definitivo do ciclo de flexibilização monetária.

A questão das contas públicas

No centro dos problemas econômicos do país está a falta de previsibilidade fiscal. De acordo com o ex-dirigente, a ausência de diretrizes claras para conter o avanço da dívida pública é o principal entrave para a queda sustentada dos juros.

“O calcanhar de Aquiles macroeconômico do Brasil são as contas públicas, e sem um encaminhamento de uma solução para a estabilização da dívida como proporção do PIB, a tendência é as expectativas continuarem muito deterioradas e as taxas de juros não caírem”, alertou. Loyola descartou ainda a possibilidade de alterar a meta de inflação, afirmando que tal alteração enviaria um sinal negativo aos agentes econômicos. “Se com 3% de meta a inflação já está desancorada, uma alta nessa meta pode passar a impressão de que o Banco Central jogou a toalha”, disse.

Impactos internacionais e perspectivas futuras

Olhando para o exterior, o economista avaliou que a alta de juros em economias globais gera efeitos adversos imediatos para o país, encarecendo o crédito internacional e atraindo menos capital estrangeiro.

“No curto prazo, o aumento de juros externo é ruim para o Brasil”, concluiu. Para o ano de 2027, o quadro segue indefinido, equilibrando-se entre uma atividade econômica mais fraca — o que ajudaria a conter preços — e as incertezas persistentes sobre energia e gastos públicos.