Estudo revela que antigo monarca da Grã-Bretanha era uma rainha
Pesquisa aponta marcas gramaticais em moedas e registros históricos para reescrever a verdadeira identidade de Berikos.

Um levantamento recente publicado na revista especializada Current Archeology indica que o soberano Berikos, tradicionalmente descrito como homem em pesquisas e documentos históricos, pode ter sido, na realidade, uma mulher que governou a Grã-Bretanha.
Análise linguística de moedas antigas
Embora o historiador romano Dio Cássio tenha registrado que, por volta de 43 d.C., um “homem” britânico chamado Berikos buscou refúgio junto ao imperador Cláudio após perder o poder em uma revolta, a trajetória política da figura se confunde com a de Verica, cujos registros aparecem em moedas da Idade do Ferro Tardia.
De acordo com a publicação científica, o nome Verica traz a terminação em -a quando grafado por extenso, o que funcionava como um indicativo feminino nos nomes britânicos daquele período, diferenciando-se dos sufixos masculinos -us ou -os. A conversão de termos celtas para o grego e o latim por historiadores da Antiguidade também pode ter gerado erros de interpretação de gênero.
Influência feminina na política romana
Outros relatos do século II, deixados por Dio e pelo biógrafo Suetônio, retratam o imperador Cláudio como um governante maleável, fortemente influenciado por sua esposa e por escravos libertos. Esse cenário político romano marcado por forte presença feminina pode ter aberto espaço para a atuação de lideranças como Verica.
Além disso, o uso do termo latino “rex” nas moedas cunhadas na época não distinguia gênero, o que historicamente facilitou a associação incorreta da figura soberana ao sexo masculino devido às estruturas patriarcais da época.
“Embora Verica receba apenas uma breve menção nas fontes escritas que restaram desse tempo, defendo que ela foi uma importante figura política na Grã-Bretanha do final da Idade do Ferro que as evidências arqueológicas preservam ecos de uma de nossas primeiras e mais importantes líderes femininas, que deve ser lembrada como tal”, afirma Miles Russel, autor do estudo.


