Senador Flávio Bolsonaro aponta erro do pai e descarta retorno ao Brasil
Parlamentar revelou de Miami que planeja exercer o mandato à distância e apontou perseguição do sistema político nacional.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que não pretende retornar ao Brasil para “não cometer o mesmo erro” de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que voltou ao país em 2023 e acabou preso mais de dois anos depois. A declaração foi feita em entrevista exclusiva aos jornalistas Glenn Greenwald e Isabella Menon, publicada pela Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (6).
Justificativa e permanência nos Estados Unidos
Falando de um espaço de coworking em Miami, nos Estados Unidos, o parlamentar justificou sua saída do território nacional como uma reação ao cenário político e judicial brasileiro. Segundo o senador, Jair Bolsonaro retornou ao Brasil por acreditar que enfrentaria um processo justo, o que ele considera ter sido uma decisão equivocada.
“Depois, essa farsa do 8 de Janeiro, que a gente sabe foi toda fabricada para tirá-lo [Jair Bolsonaro] da vida pública. Ele vai para os Estados Unidos e volta por saber que é inocente, acreditando que ia passar por um processo justo. Eu aprendo com os erros e os acertos do presidente Bolsonaro, e não vou cometer o mesmo erro”, afirmou durante a entrevista.
Comparação de cenários e atuação à distância
O senador comparou seu caso com o de outros líderes políticos e afirmou que não pretende renunciar ao seu mandato no Senado Federal. Segundo ele, a intenção é continuar exercendo as atividades parlamentares de forma remota, mantendo-se no exterior devido ao que classifica como ausência de democracia plena no país.
“O Brasil não vive uma democracia plena. Qualquer pessoa do meu entorno vai ser perseguida. Essa eleição foi tomada pelo sistema contra mim. É por isso que estou aqui, porque no Brasil não há o que fazer. Aqui na América, eu tenho liberdade de me manifestar, não vou receber uma visita ilegal da polícia do governo para me perseguir, para revirar a gaveta de calcinha da minha filha. Eu não vou me submeter a isso. Não vou legitimar processo ditatorial comandado pelo Alexandre de Moraes”, contou à Folha de S. Paulo.
Planos eleitorais e articulações futuras
Flávio Bolsonaro relatou que decidiu deixar o país após ser intimado pela Polícia Federal. O parlamentar evitou detalhar a logística de sua viagem, mas confirmou que pretende disputar a Presidência em 2030, caso seu pai continue inelegível, além de afirmar que o PL pedirá a cassação da chapa governista por suposto abuso de poder econômico.


