banner-anuncie-aqui
previous arrow
next arrow
Brasil

Prefeito de Barreiros demite médicos após flagrante em hospital

Enquanto o chefe do executivo municipal alegou abandono de função, o sindicato garantiu que a dupla cumpria o horário legal de descanso.

VÍDEO Prefeito de Barreiros expulsa médicos de hospital após acusar profissionais de ‘namorar’ em plantão

Um episódio inusitado ocorrido no Hospital Municipal Jailton Messias de Souza Albuquerque, na cidade de Barreiros, Pernambuco, terminou com a demissão sumária de dois profissionais de saúde na última quarta-feira (4). O prefeito Carlinhos da Pedreira (PP) foi o responsável por flagrar os profissionais no interior de uma das dependências da unidade de saúde durante o período de trabalho noturno.

A abordagem do prefeito e as demissões

O caso ganhou enorme repercussão após a gravação da ocorrência ser divulgada amplamente. De acordo com o relato do chefe do executivo municipal, ele chegou ao estabelecimento de saúde por volta das 22h, vindo de Recife, e deparou-se com o setor de recepção completamente lotado de cidadãos aguardando atendimento médico.

A escala da noite previa três profissionais em serviço, mas apenas um estaria exercendo suas funções no momento. Ao averiguar o paradeiro dos demais, o político localizou um médico e uma médica no interior do mesmo dormitório. Em tom alterado, o gestor bateu à porta e disparou contra os profissionais, acusando-os de estarem “dormindo, namorando” e ameaçando expor o caso em rede nacional de televisão. Diante da situação, o prefeito decretou o desligamento imediato de ambos sob a justificativa de negligência com a população.

A defesa e o posicionamento do sindicato

Em contrapartida, o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) emitiu uma nota oficial de repúdio contra a forma como a abordagem foi conduzida e exposta publicamente. A entidade argumentou que a dupla de profissionais já havia cumprido um turno exaustivo de 12 horas de assistência contínua e usufruía de um intervalo legítimo de descanso previsto para jornadas prolongadas, enquanto o terceiro colega mantinha os atendimentos ativos.

O órgão sindical também esclareceu que a divisão do mesmo aposento de repouso por um homem e uma mulher não valida qualquer suposição de envolvimento afetivo. Para a instituição, o episódio configurou um ato de exposição vexatória e infundada contra a honra e a vida íntima dos trabalhadores, ressaltando que as pausas são fundamentais para a integridade física de quem atua na saúde pública.

Mudanças na administração da saúde municipal

Como desdobramento da crise na unidade hospitalar, a administração municipal comunicou o encerramento do vínculo contratual com a organização social que gerenciava o local. A decisão, segundo a prefeitura, baseou-se em análises legais e administrativas para salvaguardar o erário e o bem-estar coletivo.

Com a rescisão, a Secretaria Municipal de Saúde e o respectivo Fundo Municipal assumiram o comando temporário das operações do hospital pernambucano. A gestão garantiu que um novo processo licitatório já está em andamento e assegurou que a transição de comando ocorrerá de maneira planejada para impedir qualquer tipo de desassistência aos pacientes que dependem do SUS na região.