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Brasil

Prisão domiciliar concedida a Maurício Camisotti após fraude bilionária

Ministro André Mendonça autoriza transferência de empresário investigado por esquema de descontos indevidos no INSS

Quem é Maurício Camisotti? Empresário vai cumprir prisão domiciliar após fraude bilionária com três entidades

O empresário Maurício Camisotti obteve o direito de deixar a prisão e vai cumprir prisão domiciliar em São Paulo, após uma decisão favorável emitida pelo ministro André Mendonça. Ele é apontado pelas autoridades como peça central em um esquema de descontos indevidos investigado pela Operação Sem Desconto, que atingiu aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Entidades ligadas ao esquema bilionário Com forte influência no setor de seguros e planos de saúde, o empresário exercia o controle sobre três entidades envolvidas nas irregularidades: a Ambec (Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos), a Unsbras (União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil) e o Cebap (Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas). Juntas, essas organizações faturaram mais de R$ 1 bilhão ao longo dos anos com as cobranças que afetaram beneficiários em todo o território nacional.

Investigação e modus operandi da fraude A operação policial também resultou na prisão de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, sob a suspeita de desviar R$ 53 milhões. Dados apontam que a família de Camisotti teria movimentado um volume financeiro cinco vezes superior ao do investigado.

Conforme as apurações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), o esquema operava em três etapas distintas. Inicialmente, o grupo oferecia propina a servidores do INSS para obter dados cadastrais de beneficiários. Na sequência, utilizavam assinaturas falsas para validar os descontos. Por fim, associações de fachada eram estabelecidas para efetivar as cobranças diretamente na folha de pagamento dos segurados, sem qualquer autorização legítima.

Negociação de delação e vínculos familiares Quebras de sigilo bancário revelaram que quatro empresas do grupo Total Health, pertencente a Maurício Camisotti, receberam R$ 43 milhões das associações envolvidas. A investigação identificou a participação de familiares como sócios nas entidades, incluindo primos, sobrinhos, uma irmã e um ex-cunhado.

Anteriormente, o empresário chegou a negociar um acordo de delação premiada com as autoridades. No entanto, o acerto ainda não foi finalizado devido a solicitações de ajustes feitas pela Procuradoria-Geral da República.