Lula avalia criar ministério para reformular comunicação digital
Deputado André Janones é cotado como principal conselheiro do presidente para estruturar a nova pasta e as redes sociais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia a criação de um Ministério da Comunicação Digital como parte de uma estratégia para dar maior protagonismo à área. A possibilidade vem sendo debatida internamente no governo com auxiliares do petista, embora ainda não exista uma decisão definitiva sobre o formato da mudança.
Encontro com André Janones
Para iniciar a construção da nova estrutura, Lula se reuniu em um almoço no Palácio da Alvorada com o deputado federal André Janones (Rede-MG), apontado pelo presidente como seu principal conselheiro no tema após o destaque do parlamentar na campanha eleitoral.
Apesar das discussões sobre a reformulação, Janones descartou assumir uma pasta na Esplanada. “Janones descarta ministério de Lula e diz que seguirá como deputado federal“, informou o parlamentar, reforçando que pretende continuar sua atuação na Câmara dos Deputados. O deputado segue no comando do grupo conhecido como “Exército do Lula“.
Regulação das redes sociais e big techs
Durante a campanha, o plano de governo defendeu a chamada regulação democrática das plataformas digitais para combater a desinformação e discursos de ódio. A pauta ganhou força após o pleito, momento em que o presidente destacou a urgência de avançar com o debate no Congresso Nacional.
“Foi uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais e nós vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual o crime na vida real. Não podemos ter empresas monstruosas de grandes ganhando milhões e bilhões não pagando nenhum imposto para esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral deste país“, declarou o chefe do Executivo.
Estratégia de mobilização popular
Entre as propostas estudadas pela gestão federal estão a implementação de uma Política Nacional de Letramento Digital e a criação de um Conselho Nacional pela Soberania Digital. Na frente legislativa, o governo tem priorizado medidas de regulação econômica e avançou recentemente com a aprovação do ECA Digital para impor regras às plataformas.
A articulação digital também mira influenciar votações no Congresso Nacional, utilizando canais de mensagens para coordenar apoiadores na pressão por pautas estratégicas, a exemplo da discussão em torno da PEC pelo fim da escala de trabalho 6×1.



